http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080712/not_imp204697,0.php
O link acima nos trás o texto do Editorial do caderno de economia do Estadão de hoje.
Não deveria haver – mas sempre há… – discussão sobre o fato que o aumento do crédito é o grande responsável pelo robusto crescimento econômico que o Brasil teve em 2007 e que vem tendo em 2008.
Mas este mesmo volume de crédito disponível joga contra o esforço do governo para abater este surto inflacionário – por mais que os preços mais recalcitrantes sejam os dos alimentos (e aí a questão é internacional) e não nos eletrodomésticos e automóveis.
Saco de maldades – no post anterior eu comentei que o Ministro Mantega vem, consistentemente, pegando mais leve do que Henrique Meirelles. Porém, dia desses, o Ministro disse que, se necessário, o governo tem ainda vários instrumentos para atacar a inflação. Isto me lembra a famosa expressão utilizada pelo ex-Presidente do Banco Central, Gustavo Franco, que disse algo do genêro: “Se o mercado não entrar na linha, o ’saco de maldades’ do Banco Central é grande e será utilizado”.
Sem a mesma verve de Franco, Mantega quis dizer a mesma coisa. Acho que já existe consenso no governo, que o crédito é um co-responsável de peso pela alimentação da inflação. Desta forma, o ’saco de maldades’ teria as seguintes ‘ferramentas’ para ação:
- Restrição aos prazos de diversos tipos de crédito, e.g. ao consumidor, para aquisição de automóveis, leasing, etc.
- Aumento do IOF, visando encarecer o custo do dinheiro para toda a cadeia (e de quebra aumentar a arrecadação federal).
- Aumento dos depósitos compulsórios que são recolhidos pelos bancos, o que reduz a quantia de recursos disponíveis para empréstimos livres – e que aumenta o custo do dinheiro, por tabela.
A lista é longa, mas quanto mais duradouro for este processo infacionário, mais difícil ficará a vida de quem:
- Tem dificuldade para obter crédito.
- Está endividados além da conta.
- Tem projetos de expansão e necessitará crédito para financiá-lo.
O que fazer? (repetindo o que já foi escrito antes)
- Reduza seus gastos (PF).
- Alongue suas dívidas já (PF e PJ).
- Aumente o números de bancos de crédito.
- Reduza a dependência de um ou poucos bancos.
- Evite sacar/tomar linhas indexadas (e.g. ao CDI). Fixe o custo, no Pré.
Abraços, FB
Julho 14, 2008 at 1:53 pm
Como sempre, quem mais será prejudicado é a pequena e média empresa. Os bancos não limitarão crédito às grandes corporações, nem o crédito consignado. O financiamento de bens duráveis (ex. automóveis, eletrodomésticos) e de imóveis poderá ser um pouco afetado, mas o desconto de duplicatas, o capital de giro e a conta garantida das pequenas e médias empresas é que deverão subir mesmo (ou escassear).