Boa noite,
Nesta 6af eu tive uma longa conversa com um dos mais bem sucedidos e sérios empresários do nosso mercado de factoring. Este é um segmento que não goza da mais alta reputação no Brasil, mas as perspectivas são positivas. A ANFAC, associação setorial, tem feito um trabalho elogiável no sentido de regulamentar esta linha negócio, que é tão importante para o pequeno e médio empresário – aqui e no mundo.
Na Europa, alguns dos mais importantes grupos financeiros têm sua factoring, e.g. Royal Bank of Scotland (RBS) e Natixis (banco que também controla a ‘minha’ Coface). No Brasil, como os bancos sempre foram mais criativos, criaram o desconto de duplicatas (e de cheques, etc.) e - com uma ajudinha tributária - acabaram empurrando as empresas de factoring para um nicho de mercado de maior risco.
Duas informações me deixaram surpreso:
- O mercado por desconto de recebíveis de empresas PJ e MM está brutalmente competitivo. Os bancos passaram a atacar empresas que antes eram clientes cativos das factorings. Hoje, é mais que comum que as factorings descontem “pré-recebíveis”, i.e. ordens de compra e venda travestidas de duplicatas, que serão substituídas pela duplicata real quando a operação comercial for realizada. Isto é de um risco tremendo para a factoring, mas também abre mercado para obtenção de capital de giro para as empresas ’sem-banco’.
- A carteira de clientes gira em torno de 40% a cada 2 anos, por conta do desaparecimento de empresas ou por estas passarem a ser financiadas por bancos.
- Factoring que só comprar duplicata de venda efetivada, terá que concorrer com bancos – e aí é quase impossível ganhar dinheiro.
Vida de factoring não é fácil, pois o risco é muito alto – e a vida de quem precisa de factoring também não, pois tem que pagar juros muito altos.
Abraços, FB
Julho 14, 2008 at 1:18 pm
Grande parte dos empresários que vendem sem nota também utilizam as factorings porque o risco de uma operação de crédito bancário acabar visível para o fisco é maior. Existem também as “factorings especializadas” – por exemplo: o grupo econômico XPTO monta uma factoring só para atender aos fornecedores das empresas do grupo (logo, os recebíveis serão todos “da casa”). Mas, fora as factorings que têm estratégias mais, digamos, “criativas”, é muito difícil sobreviver à concorrência bancária. Os bancos têm escala maior, estrutura melhor, e suas perdas de crédito poderão ser utilizadas para abater o imposto de renda gerado nas lucrativas operações de tesouraria.