Prezados Brahmeiros e abstêmios,
Fiquei surpreso com o impacto que a aquisição da Anheuser-Busch (nominho complicado…) pela INBEV (leia-se Interbrew + AMBEV) gerou na blogosfera. Os jornais tradicionais não deram uma atenção maior do que ela merece, mas ao correr blogs aleatoreamente, notei uma certa dose de ufanismo-patriótico. Tipo, “o Tio Sam vai beber uma Brahminha”. Agora o Zeca Pagodinho vai à loucura!
Até eu entre na onda e rebatizei The All-American Beer, Budweiser, para Brahmaweiser!! Legal, né?! Acho que vou mandar meu C.V. para o Pânico, Casseta &…
À título de brincar com a lógica, ofereço duas visões sobre o mesmo tema. Qual seja: uma empresa brasileira se funde com uma belga, assume a gestão, para em seguida comprar a maior empresa do setor nos EUA.
Visão 1: A glória do Capitalismo
Os brasileiros da Brahma (da escola Banco Garantia e GP), com seu estilo de gestão meritocrático, focado na eficiência e geração de valor para o acionista, chacoalharam a sonolenta Interbrew, da Bélgica, tornando a INBEV numa potência consolidadora na indústria.
Com agressividade, conseguiram convencer os acionistas americanos a abandonarem a família fundadora, que era contra a venda da empresa (”para aqueles belgas abrasileirados”, deviam comentar), propondo a criação de uma nova e gigantesca empresa, que será mais eficiente, rentável e, portanto, de maior valor.
Visão 2: Mas pra que?
Escuta, mas a Brahma já não era uma máquina de ganhar dinheiro aqui no Brasil? Era! E os belgas, não estavam felizes da vida com o seu mega negócio lá na pacata Leuven? Sim! E os Americanos, então, não se fala!
Então pra que tanta confusão, briga com acionistas, com board of directors, complexas operações de crédito para financiar as aquisições, trocas de ações, etc., etc.?
Ambição, é obvio! Vontade de ganhar ainda mais dinheiro! Se fosse só isso estava bom. Mas é que se eles não vão atrás destas aquisições, i.e. ficam parados, aí eles é que seriam atacados. O Capitalismo Acelerado (termo meu) que vivemos é assim: “matar pra não morrer”.
Mundando de assunto, estarão nossos brasileiros dando um passo maior que a perna? Terá um componente de orgulho? Do tipo “Em 1999 vocês nos desprezaram! Agora serão nossos empregados“. O grande risco deste negócio é a questão cultural. Nossos agressivos executivos brasileiros conseguiram dar um nó na cabeça dos pacatos acionistas da Interbrew e assumir a gestão da INBEV, que se tornou, de fato, belgo-brasileira. Até quando a paz iria/vai reinar não sabemos. Agora, este mesmo grupo híbrido terá que domar um animal muito mais complexo, mais orgulhoso e vaidoso. Este será o grande desafio. A ver.
Abaixo, uma nota sobre a esta aquisição. Abraços, FB
http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200807140804_RED_77204979
Julho 16, 2008 at 1:10 pm
Há ainda uma outra versão para a compra de empresas da “velha Economia” por empresários do 3o mundo. De acordo com alguns analistas, o problema mesmo é a capacidade de atração de talentos dessas empresas em comparação às empresas da “nova Economia” (Google, Yahoo, Microsoft, fundos hedge etc.). A elite americana, formada em Harvard, MIT, Princeton etc, não estaria mais disposta a trabalhar em siderúrgicas enfumaçadas, montadoras obsoletas ou cervejarias do séc XIX; esse pessoal iria em massa para a internet, Wall Street etc. Por outro lado, um profissional brasileiro, indiano ou sul-africano de alta performance deveria achar o máximo ser CEO de uma Chrysler, ou de uma Budweiser… Eu, particularmente, não “compro” essa tese integralmente, mas acho que pode ter um certo peso, sim.