Este post vai direto na veia!
Acho que muito poucos saibam, mas todos os agentes ligados ao credito, como a minha seguradora de crédito, os bancos e financeiras, etc., trabalham com uma tabela de preços para cada produto. Igualzinho a uma mercearia, um distribuidor de refrigerantes ou a uma fábrica de sabão. Todos os preços, de todos os produtos, estão na tabela.
E como em qualquer tabela, os preços podem ser alterados – para baixo, pois, geralmente, o preço da tabela é publicado na internet. E há vários níveis de ‘desconto’, mas cada nível de redução da taxa ou da tarifa tem que ser aprovado por um determinado executivo diferente. Exemplo: redução de até 5% na taxa é aprovada pelo Gerente, até 15% pelo Superintendente, até 30% pelo diretor, etc.
O ‘preço’ dos produtos financeiros (que vai alimentar uma tabelona no computador do Gerente) é formado a partir da combinação de uma série de componentes, tais como: taxa SELIC (que é o custo básico teórico), impostos que incidem para o banco, inadimplência histórica, custos administrativos (há uma alocação teórica), entre outros menos importantes.
Portanto, se a SELIC subiu – e não foi pouco – é natural que os bancos puxem o preço do dinheiro, i.e. aumentem as taxas de juros cobrados para seus diversos produtos.
Porém, salvo aberrações, o que define mesmo a taxa que o cliente vai pagar é o MERCADO! Exemplos:
- No caso de uma grande operação corporate, muito concorrida por vários bancos, acontece um verdadeiro leilão e as taxas geralmente caem muito.
- No caso de empresas pequenas e médias – e pessoas físicas – onde o poder de barganha é bem menor, o único trunfo do cliente é deixar o gerente saber que você sabe muito bem que a tabela pode ser alterada para baixo, que tem gordura e, principalmente, que tem banco querendo a sua conta.
Atenção: sou contra a mentira! Portanto, o negócio é ter certeza que outra instituição vai, de fato, oferecer algo que seja melhor para você e/ou sua empresa. Chegar e “blefar” é um alto risco!
Exemplo real: em 2006 e 2007, os bancos ganharam muito dinheiro, porque enquanto a SELIC ‘derretia’ eles baixavam os juros aos poucos, i.e. o spread que você pagava aumentava. No início deste ano, quando a crise explodiu lá fora, os bancos aplicaram uma overdose nas taxas – sem que a SELIC mudasse – e o spread disparou. Nos últimos meses, o movimento se inverteu: a SELIC vem subindo e os juros na ponta andam estáveis, i.e. o spread vem caindo. Bondade? Nah, é porque a concorrência está alta e tem gordura para queimar.
Acho que a tendência agora é que os juros cobrados nos empréstimos suba, pois 0,75% de uma vez é muito. Mas, novamente e como sempre, tudo dependerá da concorrência e do jeito que você/sua empresa se apresentarem para negociar.
Concluindo, a SELIC não move o mundo. As taxas que são pagas/cobradas é que movem o movem. E a taxa do seu empréstimo não tem que subir só porque a SELIC subiu. Tem ‘gordura’ nesta taxa e, se bem negociado, você sempre pode pagar menos.
Abraços! F.
Julho 25, 2008 at 4:51 pm
0,75%a.a. equivale a 0,06%a.m. Mas duvido que o custo do crédito para um pequeno empresário suba somente 0,06%. Na verdade, o que deverá acontecer é que o gerente da conta desse pequeno empresário, embalado pelas notícias altistas e catastrofistas, cobrará pelo menos 0,5%a.m. a mais na próxima operação…
Julho 25, 2008 at 4:58 pm
Lamento concordar com você…mas isso só ocorre porque as pessoas (físicas e jurídicas) são tão desligadas quando o assunto é crédito! Dá pra mudar e por isso que estamos aqui. Valeu!