O crédito vem se expandindo a taxas anuais ao redor de 30% há anos. O consumo vem crescendo com similar voracidade. Não há dúvida que:
- O crédito vem impulsionando o consumo;
- O consumo vem impulsionando a inflação;
- Para segurar a inflação (e, portanto, o consumo), o BC aumenta os juros;
- Juros mais altos significam: redução da capacidade de endividamento da população e aumento da inadimplência.
A Febraban acredita que o crédito se expandirá ao redor de 22% em 2009. Isso me parece um claro sinal que bancos e financeiras irão tirar o pé do acelerador. Como assim?
Os juros médios para as pessoas físicas estão por volta de 45% a.a. Assumamos algumas hipóteses:
- Digamos que os juros, na média, continuem neste patamar até dezembro de 2009;
- Os endividados não amortizem suas dívidas, mas as rolem na medida que estas vençam.
Se isto fosse verdade, o estoque de dívida da massa endividada sairia de um índice 100 em dezembro de 2008, atingindo 145 em dezembro de 2009. Como os bancos acreditam que o crescimento do crédito será de 22%, o estoque iria a 122.
As minhas hipóteses são fortes, pois é óbvio que boa parte dos devedores pagam, pelo menos, uma parte das suas dívidas. Por outro lado, a situação dos devedores só tende a piorar, pois:
- Os juros tendem a aumentar, por conta da SELIC bem mais alta;
- A inflação vem comendo parte da renda do trabalhador;
- A economia deve desacelerar, o que reduzirá empregos, etc.
Isto posto, eu não acho que o crédito irá crescer, mas sim “inchar”. Ou seja:
- Poucos novos cidadãos entrarão no mercado de crédito;
- Poucos devedores aumentarão suas dívidas voluntariamente;
- O aumento das carteiras de crédito se dará por conta de antigos endividados, que agora devem mais por conta da rolagem de dívidas a um custo mais alto.
Espero estar muito errado! Abraços,
Fernando