O Felipe Nunes Figueira mandou um comentário tão legal, que eu resolvi publicá-lo como post.
Obrigado ao Felipe e abraços a todos, Fernando
Realmente o crescente aumento do crédito no Brasil vem ocupando destaque nas discussões econômicas, com relação às medidas a serem tomadas para evitar uma crise. Um ponto importante sobre a utilização do crédito se refere ao financiamento de carros, pelo fato de que o valor do automóvel começa a decrescer a partir do momento em que sai da loja. Esse financiamento levaria o Brasil a uma característica de crise de subprime. Em se tratando de uma nação sem a cultura de crédito, onde o dinheiro aqui é o mais caro do mundo, seria indispensável ao Estado ficar em alerta sobre os riscos de um crescimento descontrolado do crédito.
Segue um trecho do artigo desenvolvido por Márcia Pinheiro à Carta Capital.
“De acordo com Donizete Piton, presidente da Associação Nacional de Defesa dos Consumidores do Sistema Financeiro (Andif), a classe média, que ganha acima de três salários mínimos, é a maior vítima da propaganda de massa das revendedoras. Prestações fixas atraem o consumidor, que se sente compelido ao apelo do status de ter um carro novo na garagem.
‘Um Palio, por exemplo, de 25 mil reais, vai ter custado 70 mil reais ao fim de um financiamento de 60 meses’, diz o economista. Fora, evidentemente, os custos de manutenção e dos impostos. ‘Na revenda, o consumidor terá 9 mil reais e entrará em outra espiral de dívidas’, afirma. O automóvel é totalmente diferente da casa ou do apartamento, que se valorizam e não têm os preços corroídos, se bem cuidados.
Por ora, não soou o alarme da inadimplência no segmento de veículos. De acordo com a LCA Consultores, em dezembro (2007), no cômputo geral, os consumidores que atrasaram mais de 90 dias as prestações já correspondiam a 12,4% do total de compradores de bens menos caros, como eletrodomésticos e móveis.
Na média, segundo a Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), de janeiro a novembro de 2007, os empréstimos foram contratados por três anos e meio à taxa de juro média de 1,49% ao mês (ou 19,4% ao ano). No sistema financeiro não vinculado às fabricantes, o juro foi de 2,41% mensais (28,5% anuais).”
Um abraço!
Felipe.
Agosto 18, 2008 at 2:36 pm
Ponto número 1: Será que uma crise de subprimes está em gestação no Brasil, com veículos no lugar de imóveis?
Quando o Brasil começar a contabilizar a queda das commodities (provavelmente no início de 2009), pode ser que haja uma explosão de inadimplência nas prestações de leasing/CDC de veículos, que as instituições financeiras retomem uma quantidade imensa de carros dos inadimplentes, e que essa tsunami de carros usados não encontre mercado fácil. Mas isso ainda estaria longe da crise das hipotecas dos EUA, em que os mutuários nunca pagaram, de fato, suas hipotecas, que eram quitadas por sucessivas renegociações via “aumento de valor de mercado” dos imóveis. Ou seja: pode ser que a crise dos automóveis doa, mas não vai ser fatal como a das hipotecas.
Ponto número 2: A propaganda de veículos está sendo responsável por um endividamente excessivo e tóxico para o público em geral?
Quanto a isso, não tenho dúvidas. o consumidor continua preocupado somente com o valor da prestação do bem financiado, e não tem a menor idéia do que paga de juros. Pior que isso, no caso de veículos, é o fato do comprador não levar em conta o custo do IPVA, do seguro, da manutenção, dos imprevistos (batidas, multas, pneus furados etc.), o que acaba levando famílias à insolvência financeira.