Boas!
A crise financeiro-bancária americana, que muitos vêm há tempos dizendo que já estava equacionada, mostra que não está.
Relembremos – logo que o Lehman Brothers quebrou, em setembro último, e começou a ‘dragar’ outros bancos importantes, a dupla Paulson & Bernanke arquitetou o TARP (Troubled Assets Relief Plan, ou Plano de Alívio de Ativos Problemáticos). Após muito debate, o Congresso americano aprovou USD 700 bilhões para que FED e Tesouro ajudassem bancos com problemas.
A idéia era que o governo comprasse ativos podres diretamente dos bancos para limpar seus balanços; não funcionou, conforme este Blog preveu. A precificação de tais ativos seria (e é) complexa e poderia simplesmente zerar o capital dos bancos, inviabilizando sua existência. Depois, resolveram usar os recursos do TARP para comprar ações dos bancos, para capitalizá-los, conforme o modelo britânico – este Blog achava que este era o modelo correto. Funcionou apenas marginalmente.
O que acontece - nada parece funcionar e este é o fato preocupante. A primeira reação dos bancos – e a mais visível para todos – foi a paralisação das operações de crédito, mesmo após a citada capitalização. Já dissemos que os banqueiros americanos estavam sem auto-confiança para correr o risco de perder mais. E, justamente, achavam que iriam perder mais porque enxergavam que a economia entraria numa profunda recessão, destruindo empresas e negócios. Estavam certos, só que ao antecipar o corte do crédito, acabaram por acelerar a chegada da recessão e multiplicar os efeitos negativos desta sobre a economia americana.
Esta semana B.Bernanke deu uma palestra na London School of Economics e deixou claro que o sistema financeiro americano ainda “apresenta problemas sérios”. Sabe-se que existem milhares de bancos sem liquidez, lotados de ativos podres que se forem vendidos ao seu devido valor, quebarão muitos bancos.
Existem centenas de “bancos zumbis” nos EUA, em coma vegetativo. Não captam de ninguém, nem emprestam para ninguém. Só o FED os mantém vivos, respirando por aparelhos. Dará para reanimá-los? E como? Ou será melhor desligar os aparelhos que bombeiam recursos diariamente para eles?
E agora? – Paulson & Bernanke agora lançam o Aggregator Bank Tabajara! Bem, o Tabajara é por minha conta, mas se encaixa direitinho. O modelo: banco estatal cuja missão seria comprar os ativos podres que antes o governo não conseguiu comprar dos bancos problemáticos. Novamente, a que preço? E o Aggregator Bank compraria de todos os bancos ou só de alguns (como o governo americano fez quando capitalizou uns 30 bancos apenas)?
Bank of America (BOA) – o maior banco americano irá receber mais USD 20 bi de capitalização do Tesouro (grana do TARP), após os USD 25 bi iniciais (que não deram nem pra saída). Mais que isso, o governo americano irá garantir a bagatela de USD 118 bilhões de ativos da Merril Lynch. Explico: O BOA comprou às pressas a Merril à época que o Lehman quebrou para evitar o “fim dos tempos”. Só que ao investigar melhor o que tinha comprado, analistas e auditores do BOA encontraram tanta coisa ruim que poderiam nocautear o comprador e o comprado.
Confuso? - e isso é o que a excelente máquina de notícias da Bloomberg conseguiu descobrir até agora. E o Citi, que informei outrou dia, então? Eles queriam comprar o finado Wachovia, que foi adquirido pelo Wells Fargo, que também precisa de mais TARP, para digeri-lo. Só que o Citi, como agora está provado, não tinha recursos nem para si – já levou USD 50 bi de TARP e ainda tem muita, mas muitas perdas a reconhecer.
Recessão Made in USA – já dissemos isso aqui umas cem vezes: sem um sistema financeiro forte, que esteja em condições de financiar uma retomada da atividade econômica, é impossível que um país saia da recessão. O período de trevas que os americanos irão viver durará bastante.
Abraços, F.
PS: alguém ainda duvida que o sistema financeiro americano está estatizado?
Janeiro 17, 2009 at 10:42 am
Caro Fernando,
1. Entre os quatro segmentos da minha atuação, no mercado, há 50 anos, na fabricação de produtos para áreas específicas, está o atendimento à área médico-hospitalar.
2. No curso de meio século convivendo com clientes, distribuidores, clínicas, hospitais e médicos, foi possível identificar “O BOM MÉDICO”. Identificar “O MÉDICO” que é o “MELHOR MÉDICO” em sua especialidade, dignificando e santificando o exercício da sua profissão, prestando um serviço inestimável ao seu semelhante, salvando vidas e possibilitando qualidade de vida.
3. Foi possível identificar que o “MELHOR MÉDICO” não é o mais famoso ou o mais simpático ou o que tem o consultório mais luxuoso ou o que cobra consulta mais cara ou portador de qualquer outra exterioridade.
4. “O MELHOR MÉDICO” é a AQUELE MÉDICO QUE É O MELHOR MESMO EM SUA ESPECIALIDADE. Como MÉDICO e como ser humano cultuando os valores maiores de cidadania.
5. Registro minha gratidão e admiração pelo seu gesto de, neste seu blog do crédito, disponibilizar o diagnóstico do quadro atual da crise financeira da forma precisa como Você faz. O que me traz a lembrança dos BONS MÉDICOS que tive o privilégio de conhecer.
Fraternal abraço.
Álvaro Stefani.
Janeiro 17, 2009 at 12:10 pm
Muito obrigado, meu estimado Álvaro.
Espero marcarmos aquele almoço já no início de fevereiro.
Fraternal abraço, Fernando