Caros,
Este assunto me irrita. E deve irritar muito mais os milhares de brasileiros que enfrentam problemas sérios com as suas dívidas (bancárias ou não). Já escrevi textos mal humorados porque vejo a FIESP, o BC, o Ministério da Fazenda e a mídia inteira bater sempre na mesma tecla - …na tecla errada. Os exemplos dos últimos dias:
- O BC finalmente tornou pública – de forma transparente – a tabela de juros dos bancos. Só que o próprio BC irá rever a metodologia, pois gerou uma gritaria sem fim.
- O Sr. Paulo Skaf, da FIESP, foi à loucura ao pregar cadeia para o…quem?…HSBC, que segundo a lista do BC cobra os juros mais altos do mercado.
- O Presidente do BC, Henrique Meirelles, diz para os políticos que vai pegar pesado pela queda dos juros bancários. Que é isso? Palanque para o governo de Goiás?
Os fatos são:
- Um triste fato da vida é que as empresas brasileiras estavam mais estocadas do que nunca, porque o país crescia muito rápido (acima de 6,5% a.a., em setembro) e o Natal chegava. E por conta disso todas tinham mais dívida do que o normal.
- O cidadão brasileiro também estava mais endividado do que nunca – porque a oferta era grande e o brasileiro não faz conta, i.e. compra uma geladeira na Casas Bahia ou no Magazine Luiza, e faz as famílias Klein e Trajano felizes porque pagam a geladeira e um fogão (de juros).
- Quanto as linhas externas secaram para os bancos brasileiros e para o grande empresário local que se endividava lá fora, houve um grande gargalo no crédito doméstico.
- Eu, você, o Bradesco e a Petrobras estamos com menor oferta de crédito e – só por isso – pagamos juros mais altos. Exemplos:
- Juros para uma das maiores multinacionais do mundo: 125% do CDI
- Juros para um dos maiores grupos empresariais do Brasil: 160% do CDI.
- Juros para um grupo brasileiro que fatura mais de R$ 1 bilhão: 188% do CDI.
- Juros pagos para o F.Blanco, segundo oferta por escrito, de um banco internacional (ex-primeira linha): 105% do CDI.
Nota: CDI é a taxa média dos juros interbancários e costumava ser semelhante à SELIC (taxa básica do BC).
Deu pra notar a situação? Como lutar contra isso?
A Petrobras e o Bradesco estão se virando para conseguir mais crédito. O cidadão e a pequena/média empresa brasileiros, não o fazem direito. Reclamam, xingam os bancos, etc. Nada disso adianta.
Vejam este post do J.P.Kupfer. O post é bom e pronto, mas o “”"destaque”"” aqui vai para os comentaristas. É uma falastrice sem fim, que não ajuda em nada a vida de ninguém. Se o tempo que perdem berrando palavras de ordem, fosse usado para fazer uma boa pesquisa de preços e serviços, aí sim se dariam melhor. E o mesmo raciocínio é válido para empresários.
Eu já falei com meia FIESP/CIESP sobre como as empresas podem e devem se defender dos juros altos! Alguém me ligou? Não! Até parece que não querem solucionar o problema. Afinal, se não houver problema não haverá microfones à disposição para a gritaria de sempre, né?
Mas é óbvio que não é isso. Ou será que é ? Skaf e companhia querem a solução do problema. Só não sabem como fazer…e desprezam ajuda externa.
Olhem aqui a famosa lista do BC. Separei dois exemplos: Pessoa Física – CréditoPessoal e Pessoa Jurídica – Capital de Giro Pré. Compare os bancos e compare o quanto você paga. Vá na agência e converse com o seu gerente, para tentar entender os juros que você paga e o que o BC publica. E assunte por que outros bancos cobram menos.
Mas atenção: compare banana com bananas. Exemplo: eu e você não teremos crédito jamais no Banco Itaú BBA, que é voltado para grandes empresas. E se quiserem procurar os bancos, este link da Febraban ajuda.
E leiam aqui no Blog a sessão Melhore o seu Crédito. Lá tem boas dicas, palavra de escoteiro.
Perguntem, critiquem, etc., mas sempre voltado à busca de solução, pois do contrário é perda de tempo.
Abraços, F.
Fevereiro 19, 2009 at 9:50 pm
Caro Fernando
Tudo muito explicadinho, bem bonitinho, perfeito! Voce é realmente um mago com as palavras, permita-me dizê-lo (mais uma vez).
Agora, um banco como o Real cobrar 357% a.a de juros sobre um cartão de crédito e ainda tentar convencer os outros de que isto é normal, fere minha sensibilidade. Sem falar que, por causa das tarifas, o ’spread’ bancário está sendo líquido, líquido.
Sabe o que mais? Quando os banqueiros vem defender sua ’sardinha’ até que eu fico calado, cada um puxa sua brasa como sua ambição determina. Só fico irritado é quando eu leio algum lambaio (ele estava sumido, mas voltou um dia desses – por uma questão ética com seu blog não vou declinar seu nome) tentar “provar” por a+b que esse estado de coisas é o certo, de que milhões devem passar fome e privações para uns poucos nababos se regalarem.
Abraços!
Fevereiro 19, 2009 at 11:39 pm
Meu caro Argo,
Que bom voltar a ler os seus pertinentes comentários! Acho que nem no J.P.Kupfer tenho te lido.
Bom, primeiramente, obrigado!
Alguns pontos:
1. Não há nada no mundo que justifique 357% a.a. de juros. Mas eu imagino como isto tenha acontecido…se por poucos dias de atraso/inadimplência alguém pagou juros de mora e multas contratuais, os juros anualizados ficam indecentes.
“Mea culpa ao contrário”: sabia que eu, quando diretor deste mesmo Banco Real, abonava todos estes custos, sempre? O fazia porque os achava moralmente condenáveis.
Porém – há sempre um porém -, isto está no contrato e, portanto, no sistema. Se o cliente não gritar, ele irá assinar o contrato. E se ao atrasar, não gritar para que seja abonado, irá pagar. Acho, lamentavelmente, que muitos clientes meus, naquela época, pagaram estas taxas/multas porque não gritaram. Mas o que pediram abono receberam sem pestanejar.
E por que eu não mudava a regra, eliminando isto dos meus contratos? Eu diria que é quase impossível. Tal mundança de contrato teria que ser discutida por mil comitês internos e, ao final, seria barrada.
Note que tais punições foram, de fato, criadas para punir os mau intencionados, mas acabam machuncando gente direita que acaba tendo um problema temporário. Difícil solução…
2. Fiquei curioso com o lambaio! Será o Warrior? Eu li e…melhor nem comentar.
Abraço e não suma! F.
Fevereiro 22, 2009 at 8:34 pm
Caro Fernando,
Fui apresentado recentemente por um grande amigo ao seu blog, e desde então tenho acompanhado e gostaria de parabenizá-lo pelas análises e colocações, que em vários casos são verdadeiras aulas de economia.
Gostaria de registrar um comentário sobre esta última postagem. Trabalho no meio bancário e tenho constatado que o show de desinformação é maior do que se pensa. O ranking de taxa de juros publicado no site do BC é uma atitude de nobres intenções, porém com pouca eficácia da forma como foi montado.
Analisemos por exemplo as taxas de capital de giro para pessoa jurídica. Como você mesmo citou, a taxa, por exemplo, para uma grande empresa (Petrobras ou Vale do Rio Doce) para uma linha de capital de giro é uma, ao mesmo tempo que a taxa para um pequeno comércio é outra completamente diferente. O ranking do BC apresenta, pelo que pude entender, a taxa média dessas operações, sem considerar o porte da empresa. Isto gera distorções no resultado final, tendo em vista que um banco, por exemplo com operações com grandes empresas (onde o mercado para os bancos é muito mais competitivo) poderá apresentar taxas boas no ranking, no entanto, operar com taxas muito mais altas no varejo.
O pequeno empresário que, vendo determinado banco nas primeiras colocações, ao procurá-lo poderá contratar operações com taxas bem piores daquelas informadas.
Mas volto a dizer, a idéia do ranking é nobre, apesar de precisar de ajustes, bem como ser necessário por parte do consumidor fazer a sua própria pesquisa antes de contratar qualquer operação de crédito.
Uma forte pesquisa do consumidor estimula a concorrência acirrada entre os bancos e, esta sim é capaz de derrubar os juros, mais do que o próprio Banco Central.
Abraços.
Fevereiro 22, 2009 at 10:34 pm
Olá Guilherme,
Muito obrigado por frequentar este nosso ambiente.
O que mais posso dizer? Apenas que concordo 100% com suas observações.
Espero poder contar com mais comentários da sua parte, pois você tem a visão “por dentro” do mercado.
Abraços, FB
Março 28, 2009 at 2:02 am
Tenho R$3.561,00 fora os centavos líquidos descontados em folha com negociação feita com (02 bancos). O 1º banco com juros + ou – de 6% e o 2º banco com juros imperdíveis de 10% + ou – porque a pessoa nunca consegue descobrir a taxa exata. No 2º banco a dívida começou com 3.600,00 + 900,00 + 2.600,00 e chegou em 40 meses + ou – em 30.457,00 (acredite se quise)…
Eu não fico mais desesperado porque acredito que mesmo sofrendo a dívida acabará mas o salário irá continuar e eles pagarão… (Graças a Deus)! É a ganância!!!