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Amigos,

O blogueiro está vivo – ou quase.. -, mas a agenda de problemas está insana.

Lendo e ouvindo:

  1. Declarações do novo presidente da Nossa Caixa (subsidiária do BB)
  2. Anúncios de novas linhas de crédito do BB
  3. Discurso da Maria Fernanda, da CEF, em evento da ADVB na 2af
  4. As ‘ginásticas’ feitas pelo BNB para aprovar tudo que lhe pedem
  5. A luta do BNDES para conseguir funding para emprestar mais

… eu concluo e afirmo: PRECISAS DE DINHEIRO? CORRA PARA UM BANCO PÚBLICO!!

E os bancos privados? O foco é na pessoa física. Ainda há muita incerteza na pequena e média empresa - e a inadimplência ainda não cedeu. Eu que o diga…

Abraços, F.

Este Milênio começou com crise (da Bolha da Internet) e, depois de uma pausa de crescimento sem igual, passou a conviver com uma crise igualmente sem igual. Mas outras esquisitices chamam a minha atenção. Vejamos:

1. Consumo dos americanos: eles têm de consumir mais do que nunca – o que só seria possível se tomassem ainda mais empréstimos -, pois o mundo não sairá da recessão enquanto a ‘locomotiva’ do mundo não voltar a operar. Só que os bancos não têm como financiá-los ainda mais, até porque os americanos já estão endividados até o pescoço…

2. Lula e o FMI: o nosso Presidente afirmou - aos berros - que aqui no Brasil “muita gente torce para as coisas darem errado, para o Lula dar errado”, mas que não contém com isto não, porque hoje mesmo “eu emprestei USD 10 bi para o FMI. Eu disse ´tó, leva aí’”. Pode? É como se a maioria dos brasileiros tivesse saído da pobreza, nossas empresas estivessem cheias de crédito…

3. Falta de memória: a Bovespa já está negociando na pontuação pré-crise. Seria ótimo não fosse o fato das empresas cujas ações compõe o índice não estivessem sofrendo um bocado, por conta da contração econômica, aqui e lá fora. Pior, o inchaço, quer dizer, a alta das cotações se dá por conta de aplicações externas, que sumirão ao primeiro sinal de crise (seja lá de onde venha o sinal).

4. A Letônia: você conhece a Letônia? Não se culpe se a resposta for “não”, mas para não perder a viagem conheça-a melhor via Wikipedia. Pois bem, esta potência econômica está a beira do colapso, pelos mesmos motivos que nós Brasileiros sofremos na década de 90. E só se fala nisso nas rodas financeiras estes dias! Faz favor…

5. Chuva de dólar: pois é, nunca choveu tanto na história deste país, com efeitos trágicos no Norte e no Nordeste – sem falar em Santa Catarina ano passado. Mas aqui o assunto é chuva de dólar; justo o dólar “cigano” que mais atrapalha do que ajuda…vai entender!

6. Exportador se arrebenta com alta do dólar: é notícia velha, mas Sadia, Aracruz, VCP, Vicunha e metade das usinas de açucar e alcool…e mais meio-mundo que ficou na moita (junto com os bancos, que trataram de rolar as dívidas e seguir como se nada tivesse acontecido). Bancos e exportadores deram uma de espertos e se arrebentaram – os primeiros por venderem bombas atômicas de efeito retardado para quem não sabia o que estava comprando, e os segundos por terem comprado os ‘artefados’.

7. Financiamento de automóveis em 5, 6, 7 anos: o absurdo continua. O Banco Central deveria investigar direitinho se estes bancos estão com ativos e passivos bem casadinhos. Já os pobres compradores…seus carros não valerão o combustivel no tanque e eles ainda estarão pagando juros. Se por um lado a economia real agradece, o meio-ambiente chora.

8. Espanha: depois dos EUA e do Reino Unido (Islândia e Letônia não contam, ok?), a Espanha é o país que enfrenta a pior crise na contrução civil. Por conta disso, sua economia ruiu, o desemprego caminha para os 20% e por aí segue. Só que os bancos espanhóis não demonstram qualquer problema com a crise e o Real Madrid contrata Kaká e Cristiano Ronaldo numa penada só!!

9. Brasil Investment Grade: puxa, levamos um século para chegar lá e..e daí? O mundo rico se espatifou e não há linhas de crédito disponíveis. E o mais emblemático é que continuamos com nosso rating (BBB) ainda pior que países que estão na lona, como USA, UK, Alemanha e Japão.

10. SELIC em um dígito: mais outro século de espera e finalmente chegamos a um juro básico de 9,75%. E ao invés dos rojões espoucarem no céu, como em Copacabana na virada do ano, agora só se fala do spread bancário. Até que enfim resolveram focar no problema maior! A imensa maioria das empresas e cidadãos paga várias SELIC’s por ano (3, 4, 5…10 ou mais).

11. Solidez dos bancos brasileiros: boa parte da sociedade ‘entrou em curto’, pois não sabia se aplaudia nosso sistema financeiro pela solidez – que nos permitirá a sair mais rápido da crise - ou se baixava o sarrafo neles, por conta dos juros altos cobrados. São os dois lados de uma mesma moeda…que na verdade tem três lados (?!): nossos bancos não entraram na farra do subprime por que não precisavam correr riscos, uma vez que já ganham muito com o ‘arroz-feijão’. Do contrário teriam entrado também.

Are baba!

Fernando

PS: poste também o seu “Delírio” favorito…ou questione os meus!!

Amigos, o link abaixo é um maná de fontes ligadas ao mundo das finanças. Bom proveito + abraços, F.

http://web.utk.edu/~jwachowi/wacho_world.html#INDEX

Este é um post pessoal, para consumo próprio. Visa homenagear e registrar o dia do nascimento do meu avô materno, José Pablo Blanco del Mar, que hoje completaria 100 anos.

Nascido em Montevideo, por acaso (seu pai trabalhava como calafate da marinha uruguaia), aos 2 anos já vivia em La Línea de la Concepción, no sul da Andalucia. Logo passou a trabalhar numa loja em Gibraltar, o famoso protetorado Britânico encravado num enorme rochedo, que fica em terras contíguas à La Linea.

Quando tinha 15 anos imigrou com a família para o Brasil, tendo como destino as fazendas de café do interior de São Paulo. A origem portuária de toda família, mais o fato de terem conhecidos espanhóis vivendo em Santos, motivaram a família Blanco a fugir da Casa do Emigrante de Santos no meio da noite, para ali fixar residência definitiva.

A paixão pela mecânica e a ignorância dos pais impediram que Don Pepe, aos 18 anos sendo trilingue e bem educado, seguisse uma carreira mais prestigiosa e rentável. Pelo contrário, trabalhou na abertura dos famosos canais fluviais de Santos, na oficina mecânica central da Companhia Docas de Santos e chefiou a usina hidroelétrica de Itatinga, na vila do mesmo nome, que fica em algum lugar da Serra do Mar, perto de Bertioga.

Em Itatinga foi feliz e realizado. Espanhol gosta de mandar, dizem…e ele, com 1m84 era um gigante naquela época. Ele era caçador (vi muitas fotos), pescador (de remar rios adentro), etc. Viveu em harmonia com a natureza quando isto não era uma prioridade.

Como meus pais trabalham dia e noite, minha infância foi vivida, em grande parte, na casa dos meus avós maternos, Pepito e Totoina, como eu os chamava e chamaria até falecerem na primeira metade da década de 90. Eu tinha adoração por eles e quando os meus pais vinham me pegar para dormir em casa, toda noite eu aprontava um escândalo. Quando viajva, ainda pequeno, com os pais, chegava a adoecer de saudades dos avós.

Foi meu avô quem me levou a dar os primeiros chutes numa bola. Eu, devidamente uniformizado com o manto sagrado do Santos FC, e ele íamos a pé até os antigos campos do Canal 5, que perfaziam uns 10 gramados semi-oficiais de futebol de várzea, em se jogavam as partidas da famosa Liga Santista. Bons tempos. Hoje, este imenso terreno de lazer tornou-se uma imensidão de prédios, lojas, i.e. de progresso. Ou será “progresso”?

As minhas primeiras pedaladas também foram dadas com o Vô Pepito ao meu lado. Nada mais natural, pois ele havia sido um ciclista razoável nos anos 30 (palavras dele). Lembro-me da medalha de bronze que ele me deu, prêmio pela 3a colocação numa corrida de 120 km, a Santos – Itanhaem – Santos, disputada através das areias das praias (não havia alfato naquela época). Dá para imaginar o sofrimento?

Sem dúvida, as fotos e as histórias daqueles dias românticos do ciclismo brasileiro foram grande inspiração para mim, que viria a me tornar ciclista de competição aos 15. Detalhe: contra a sua vontade! Sabedor dos perigos deste esporte, acho que nunca foi assistir a uma corrida minha, pois temia pela minha saúde. Aliás, se dependesse dele eu não sairia de casa para nada, tamanha era preocupação que tinha por mim.

Fui o primeiro e único neto, pelo menos na questão afetiva. O que era reciproco. Meus primos nunca foram próximos dos avós e toda a carga afetiva do velho imigrante foi dedicada para mim. O espanhol durão, dizem, só amolecia com o netinho.

Conheceu o bisneto Fábio já no final da vida, mas pouco o curtiu, dado que estava com a saúde muito debilitada pela falência da circulação periférica – esta o cegou e o impedia de andar direito. Não foi fácil ver aquele gigante, tão ativo e altivo no passado, definhar aos poucos.

Ele se foi aos 84 anos de idade, mas permanecerá na minha memória para sempre.

Fernando, seu neto.

Aviso rápido: eu serei entrevistado entre 17:30 e 18:10 no programa do Roberto Nonato. Assunto? Crédito…

Abraços, F.

Prezados, o amigo do Blog Alex me instigou a pesquisar mais sobre a questão do crédito para empreendedores, ou melhor, para projetos ’start-up’, que ainda não existem além do projeto em sí. Como disse a ele, é muito difícil alguém conseguir crédito no Brasil para uma empresa nesta “faixa etária”. É muito mais fácil conseguir um crédito “na PF”, só que este será caro e curto, i.e. de alto risco para o devedor-empreendedor, que precisa do dinheiro até o seu projeto se estabilizar financeiramente.

Dentre os bancos, só os estatais tem algum apetite para o Empreendedor: BB, CEF, BNDES, BASA, BNB, etc.

Enfim, segue abaixo uma série de links que eu julgo importantes para quem tem interesse em empreender, mas não quer (ou não consegue) se endividar. Há múltiplas formas de se capitalizar e inciar o seu negócio, mas nenhuma delas é fácil, todas são demoradas e demandam projetos absolutamente fundamentados.

Caprichem + sucesso! F.

http://www.anprotec.org.br/

http://www.sebraesp.com.br/

http://www.sebrae.com.br/paginaInicial

http://www.endeavor.org.br/

http://www.fapesp.br/

http://www.abvcap.com.br/

http://www.finep.gov.br/

http://www.fgvsp.br/cenn/

Este post trata dos Composite Leading Indicators (CLI), ou Indicadores Essenciais Combinados, produzidos pela OECD (ou OCDE, em português).

A www.oecd.org é uma organização que vale a pena ser conhecida, pois tem muitos papers e dados que podem ser de interesse geral e particular. 

E estes CLI’s indicam o estado geral das economias – sejam de países ou de blocos econômicos. Interessante notar como eles identificam a tremenda queda que o Brasil sofreu – para surpresa de muitos.

Se o seu negócio ou o seu emprego dependem das condições econômicas lá de fora, vale a pena conferir.

Oremos + abraços, F.

Eh so o comeco, i.e. Obama vai ao Congresso pedir autorizacao para regular os derivativos exoticos que ajudaram a quebrar a America. Mas eh um comeco na direcao correta. Os liberais nao gostarao, alegando que o mercado se regula melhor que o governo, ou que isto brecara a inovacao financeira. Vejam a materia do The Times.

No passado, eu escrevi este post em que digo que, muitas vezes, “obras de Deus sao operadas pelo Diabo”. E os derivativos exoticos estao nesta categoria. E ate Warren Buffet os chamou de “armas de destruicao em massa”.

Precisa mais? Abs, FB

Caros – comeco pedindo desculpas pela nao acentuacao. Coisas da informatica…

Tive uma longa conversa com um craque do mercado de analise de bancos. Ele eh equity research e tem como missao recomendar compra ou venda de acoes de bancos, etc.

Pois bem, alem de concordar com as minhas analises recentes, o meu chapa me confidenciou que o banco dele – assim como os demais privados – ainda esta muito conservador na concessao de credito para a pequena e media empresa. E o motivo eh simples: a inadimplencia neste segmento foi gigantesca.

Este retrocesso eh o retorno do pendulo, pois os bancos deram credito para qualquer ate setembro passado. “Balanco para que?” Agora, nem o balanco adianta!

De qualquer forma, a boa noticia eh que o credito esta se normalizando rapidamente para a grande empresa e esta ira irrigar sua cadeia. No entanto, para quem nao eh parte de uma grande cadeia o problema eh serio. So ira obter credito (caro) quem se apresentar muito bem (para todos os bancoes) e demontrar muito profissionalismo na gestao do seu negocio.

Abracos, F.

Então, vazaram tanta coisa do Stress Test, que o anúncio foi um verdadeiro anti-climax. Afinal, o mercado precisa de “apenas” USD 75 bi de capital novo. Uma mixaria, convenhamos!…

Minha visão sobre o assunto:

1. Lado positivo:

  • Não é tanto dinheiro assim, pois o TARP (programa do Tesouro americano para resgate dos bancos) tem dinheiro suficiente para isso. Desta forma Obama & Geithner não precisarão ‘passar o chapéu’ lá no Congresso (e apanhar como aparanharam Paulson & Bernanke).
  • Os bancos já estão levantando capital – e com aparente facilidade. Leiam esta nota da Bloomberg.

2. As Grandes Dúvidas:

  • Uma coisa é o stress test não gerar pânico, outra coisa é gerar confiança nos investidores e clientes, para que estes voltem a comprar CD’s dos bancos.
  • Quantos bancos ainda estão ‘pendurados’ em linhas emergenciais do FED? Ninguém sabe. O volume já foi de USD 2 tri! E não havia sequer interbancário. Quando e em que volume o interbancário voltará?
  • Quando os bancos – bons e não tão bons – voltarão a emprestar? É isso que precisamos para que a economia volte a se aquecer. Será que os bancos,  mesmo tendo passado no stress test, terão apetite de crédito neste momento em que a economia está tão estagnada?

Terra de Marlboro – no melhor estilo americano, que divide os fortes dos fracos, o resultado do stress test irá separar “bancos sólidos” de “bancos não sólidos”. Isto poderá provocar um tremendo efeito negativo para bancos como Bank of America/Merril Lynch, e.g. perda de depósitos, perda de clientes, custo de funding mais elevado, etc.

Mais do que nunca, os incentivos fiscais dados pelo governo Obama precisam fazer sua parte, pois do contrário os bancos continuarão paralisados. Notem que o mercado está relativamente feliz hoje, por conta do anúncio do número de novos desempregados: “só” 539 mil, quando esperavam uns 600 mil. Meio milhão de novos desempregados e isso é bom porque a curva de crescimento apenas desacelerou…

Para terminar, concordo com o sub-título da página do Wall Street Journal, publicada em português pelo Valor Econômico de hoje: “Tesouro, bolsa e sistema bancário ganham novo fôlego”. É só isso: fôlego temporário, nada de solução definitiva.

Abraços, F.

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