maio 2008


Passo I, Parte II – Goste do seu crédito, trate-o bem…

Prezados,

Dando continuidade à Parte I, eu afirmo: quando o assunto é  crédito, RECLAMAR em chat, para os amigos, nos blogs, etc., é pouco (ou nada) produtivo. Ao invés de perder este tempo nobre reclamando, use-o a seu favor. Como?

1. Estude o tema (internet, livros, revistas, etc.), converse com especialistas, amigos, etc. Não se afaste do tema por este ser árido, chato, etc.

2. Aproxime-se do seu banco, seguradora de crédito, da financeira, do varejista. Mostre que deseja  fazer negócios com eles. Entenda como eles o enxergam e como decidem sobre o seu crédito. Não se afaste “porque não gosta deles” – pelo contrário.

3. Estude a sí próprio, i.e. tenha na ponta da língua as forças do seu negócio e como poderá se tornar um ótimo cliente no futuro – desde que a relação seja boa para as duas partes, naturalmente.

4. Entenda como funcionam os competidores, pois às vezes mudar de ‘fornecedor’ é a solução.

Lembro-me bem quando o financista Armínio Fraga foi chamado para assumir a presidência do Banco Central. Isto ocorreu em 1999, após a desvalorização do Real e do escandalo Marka/Fonte-Cindam. Naqueles dias, nossa moeda (e as de outros países emergentes também) era atacada com certa frequência, o que pedia um gerenciamento profissional, gente do ramo. Em outras palavras, ser um grande acadêmico não era mais condição suficiente.

Com este mega-abacaxi nas mãos, FHC optou por Fraga, que na época trabalhava para o mega-investidor/especulador internacional George Soros. A fama deste se globalizou quando, em 1992, literalmente quebrou o Bank of England e a Libra Esterlina foi desvalorizada (o fundo de Soros teria ganho mais de US$ 1 bilhão). Soros era taxado de imoral. Chegava a ser engraçado. Eu moravá lá e presenciei a confusão de camarote.

Tal nomeação gerou uma tremenda comoção política no país. A frase favorita dos mais exaltados era: “Vão colocar uma raposa para tomar conta do galinheiro“. E eu dizia, “Que bom! Escolheram um especialista, alguém já esteve do outro lado da mesa. Por ser um grande operador de mercados ele entende a cabeça dos grandes especuladores e poderá se antecipar a eles”.

Queriam o que, colocar um camelo para tomar conta do galinheiro? Ora, camelo não gosta de galinha, não entende de galinha, quer distancia de galinha. Em suma, todas fugiriam ou seriam devoradas pelas raposas mal intencionadas. A solução correta foi mesmo ter colocado uma raposa honesta. E o galinheiro cambial brasileiro voltou a ter controle.

Esta pequena história (100% real; o% de fantasia), com um toque de fábula infantil, é para ilustrar que quando o negócio é mercado, crédito, finanças, etc.,temos que colocar ‘raposa do bem’ para gerenciar nossas tesourarias. É assunto para especialista e requer dedicação, foco, pesquisa, etc.

Se não ficou claro, comentem por favor.

Abraços

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Prezados,

O tão desejado grau de investimento – o Brasil já foi assim classificado pela S&P e pela Fitch – é voltado para o mundo de investimentos e aplicações financeiras. O crédito interno – tanto comercial, como bancário – não é o alvo principal destas agências.

Tratemos primeiro das “linhas gerais”: quando alguém lhe aprova uma linha de crédito – seja um banco, uma financeira, uma seguradora de crédito ou varejista -, sua maior preocupação será identificar como estará o ambiente econômico da sua empresa (faturamento, geração de caixa, etc.) ou do indivíduo que está tomando dinheiro (i.e. sua condição de emprego) na época do repagamento.

Primeira conclusão: neste quesito, a oferta de crédito tende a aumentar, ao redor de 25%, se nada de mais sério acontecer na economia americana, se alastrando pelo “planeta emergente” (leia-se China, Índia, Brasil e similares). Empresas e individuos continuarão a ter uma boa oferta de crédito no Brasil, ao longo de 2008.

E o custo do crédito, cairá como é de esperar em um país sólido como o Brasil? Não! Vai aumentar. Por partes:

1. O Brasil – e o mundo – vive um surto inflacionário.

2. A inflação será combatida com aumento da SELIC, a nossa taxa básica de juros.

3. Isto naturalmente encarecerá as taxas cobradas por todos os agentes econômicos emprestadores.

E o spread bancário – diferença entre a taxa final cobrada e a SELIC – aumentará também? Eu acho que não, pois haverá liquidez sobrando e os bancos irão brigar pelos bons clentes, reduzindo o spread.

Para aquelas empresas que tem cacife para captar recursos no exterior, o momento é positivo para o Brasil. A nossa condição grau de investimento certamente aumentará o volume e os prazos dos empréstimos que serão ofertados para bancos, empresas e governos. O mercado de debt capital markets também terá apetite redobrado para risco Brasil. A situação só não está perfeita agora, porque com a crise do subprime americano, muitos bancos ‘puxaram o freio’ para novos empréstimos (não só para o Brasil!), o que, inclusive, encareceu um pouco a captação de recursos externos (coisa de 0,5% a.a., nada traumático, pois as taxas estavam muito baixas). Mas isto passa. Estimo que em 12 meses a situação estará normalizada – se não houver uma hecatombe global em gestação.

Mas nem tudo é ‘céu de Brigadeiro’, não! Com o grande fluxo de investimentos em direção ao Brasil, o Real irá se fortalecer – nada de novo aqui -, impactando diretamente empresas dependente de exportações, ou que sofrem concorrência direta de importações.

Portanto, se a sua empresa – ou o seu emprego – se enquadra nesta situação, sugiro que você tenha bons argumentos para justificar para os seus financiadores que ela continua merecedora de crédito. Do contrário, é possível que venha a sofrer corte de linhas, e/ou de prazos e maior exigência de garantias.

O mesmo raciocínio vale para aquelas que são impactadas pela inflação na sua cadeia de suprimento (e.g. certos químicos e petroquímicos), sem ter capacidade de repassar o aumento de preços para seus clientes. A rentabilidade e o fluxo de caixa se deteriorarão e os seus financiadores irão querer saber a solução para este cenário negativo – ou, pior, irão antecipar-se e cortar linhas como medida defensiva.

Muitos pensam que grau de investimento é só festa. Até é uma grande festa para alguns agentes econômicos, mas não é para todo mundo. Fique esperto.

À disposição para discutir o tema + abraços,

Fernando

Passo I – Goste do seu crédito, trate-o bem…

Sugerir como melhorar as condições de crédito para empresas e pessoas é a missão maior deste Blog. Bem-vindos então para o primeiro passo desta longa e produtiva jornada!

Ninguém tem dúvida que crédito bem trabalhado é de muita utilidade para a sociedade. Graças ao crédito, empresas financiam o seu capital de giro, expandem suas operações, etc. Já os cidadãos antecipam e realizam seus sonhos de consumo (e.g. uma lua-de-mel). Ambos, PJ e PF, também usam o crédito para ‘tampar buracos’ de caixa inesperados.

O que me choca, porém, é a impressionamente falta de conhecimento da nossa população (empresarial, inclusive), na hora de negociar crédito. Aliás, a questão vai além do crédito, é mais ampla: nos falta de educação financeira! Sobre o tema, sugiro que visitem este site, da especialista Cássia d’Aquino.

http://www.educacaofinanceira.com.br/

Exemplos:

1. PF: outro dia, eu fui o âncora de um chat no UOL sobre crédito e vi de tudo. As pessoas se enforcam no cheque especial, no cartão, no ‘parcelado’…tudo junto!! Eu imaginava que eu alguém que estivesse nesta situação soubesse tudo sobre o tema, até para se defender. Lêdo engano! As pessoas se enforcam e a maioria mal sabe como ficou assim – sair da forca, então, nem se fala…

2. PJ: eu tenho milhares de hora “de vôo” em comitês de crédito, reuniões onde bancos decidem sobre créditos de maior porte para empresas. Creiam-me, já testemunhei ‘n’ casos de empresas absolutamente similares em termos de qualidade de risco, em que uma pagava 2X mais spread do que a outra! Por que isto acontece? Porque uma se prepara para a ‘batalha’ e acaba por ter maior oferta de crédito, enquanto a outra geralmente diz “Eu não gosto de banco e…” – e no fim não sabe lidar com bancos e paga mais.

3. ‘Santo de Casa’: conheço bem um banqueiro que, por preguiça de fazer conta, pagou durante anos o seu financiamento imobiliário – Tabela Price – e quando quis repassar o imóvel foi informado que havia pago só juros. Foi um péssimo negócio para ele…

Onde quero chegar: crédito é tão IMPORTANTE quanto pode ser PERIGOSO para as finanças de pessoas e empresas. Em outras palavras, pode ser uma tremenda ferramenta para enriquecermos, mas também pode levar à falência se mal gerenciado.

A MINHA TESE é que, coletivamente, DAMOS POUCA ATENÇÃO AO TEMA CRÉDITO.

Aguardem o segundo post sobre o tema. Até lá, perguntem, questionem, etc.

Meu abraço