Boa noite,

O crédito apareceu forte na mídia nesta última semana, graças ao relatório mensal do Banco Central. Alguns destaques da mídia e os meus comentários a respeito:

  1. Volume de crédito captado por empresas e cidadãos cresceu 2,5% em abri, ou 30,9 nos últimos 12 meses, atingindo a marca simbólica de R$ 1,07 trilhão.
  2. Este volume representa 36,1% do PIB, sendo a maior marca desde 1995 (dias de euforia pós-Plano Real). Há 12 meses este número representava 31% do PIB.

Meus comentários: A economia está muito aquecida e sinais de inflação (de difícil controle) surgiram no horizonte depois de muito tempo. Parte desta inflação é ‘importada’, mas uma parte advém do consumo das famílias. Pois é para dar um freio nisso que o Banco Central iniciou um processo de aumento da SELIC. Portanto, o custo da dívida da população e das empresas vai subir, assim como ficará um pouco mais complicado rolar tais dívidas.

O crescimento do crédito no Brasil está se dando com uma velocidade acima da desejável, na minha opinião, pois:

  1. A renda disponível (i.e. a capacidade de repagamento dos devedores) não aumentou na mesma proporção
  2. A oferta de educação financeira à população não vem crescendo de modo a dar suporte para esta, quando uma desacelração econômica vier – e ela virá, agora ou mais tarde, porque sempre vem!

Pontos para reflexão e que não vêm sendo abordados pela mídia ou debatidos com as autoridades:

  1. Crédito para PME  é novidade no Brasil
  2. Idem para PF de baixa renda (e.g. aposentados, sub-empregados, etc.)
  3. O nível de endividamento atual está calcado em um conjuntura econômica (local) de bonança, i.e. o sistema como um todo não enfrentou nenhuma turbulência mínima que pudesse testar as reações dos diversos agentes
  4. É novidade demais, tanto para os novos endividados, como para os emprestadores que estão lidando com clientes novos e clientes antigos muito mais alavancados

Segundo Altamir Lopes, experiente chefe do Departamento Econômico do Banco Central, o crédito está crescendo a taxas descrescentes. Boa notícia!

Não me entendem mal: sou totalmente a favor do crescimento do crédito em nosso país, mas isto tem que acontecer cercado de certos cuidados, do contrário teremos volatilidade na oferta de crédito, com enormes malefícios para todos os agentes do mercado.

Crédito, talvez mais do que qualquer outra variável financeira, requer estabilidade e previsibilidade. E eu não estou convencido que já atingimos este patamar.

Abraços

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