Bom dia!

Dar crédito é um ato de confiança – não importa o quão garantida a operação seja. E por mais que as empresas (e seus CNPJs) tenham valor histórico, até por conta de suas conquistas (e.g. market-share, produtos reconhecidos, etc.), o financiador sempre irá balizar a sua decisão em duas figuras essencialmente humanas: o dono e o gestor.

Atualmente, e cada vez mais, a figura do dono ‘pessoa física’ se limita às pequenas e médias empresas, pois cada vez mais as gigantes se tornam ‘corporações sem dono’. De qualquer forma, por trás da figura da empresa controladora (a ‘holding company’), tem uma (ou algumas) figura humana, que é o gestor.

Sempre que há uma forte alteração de controlador acionário – e/ou dogestor de uma empresa -, saiba que bancos, seguradoras de crédito, etc., irão parar e tentar entender o porque de tal mudança. Todos sabem que mudanças podem ser fantásticas para um negócio, pois traz energia renovada, novas idéias, eventual força financeira, etc. Mas mudanças também trazem , potencialmente, novos riscos, a começar pela possível incompatibilidade do novo dono/gestor com o negócio e com a equipe que já está lá na empresa. E financiadores em geral não gostam de palavras como “pontecial” e “possível”, quando estas estão associadas à palavra “risco”.

Outra preocupação enorme é com o compromissso que o novo dono tem com o negócio, no longo prazo.

E a maior complicação de todas é quando o entrante tem um histórico complicado, seja nome ‘sujo’ na praça, ou fama de ‘brigão’ com bancos ou outras empresas, acionistas e órgãos públicos. Se o sujeito traz ‘volatilidade’ para a vida da empresa, não importa o quão inteligente ele/ela seja: financiadores querem distância!

Para concluir, a mensagem é a seguinte: qualquer mudança de acionista e/ou gestor senior da empresa deve ser muito bem comunicada para todos os mercados, mas especialmente para os seus financiadores, pois do contrário suas linhas de crédito poderão escassear.