Caros,

O Banco Central elevou a taxa básica de juros em mais 0,5%, para 12,25% a.a. Nenhuma surpresa, pois não há dúvidas que o Bacen irá combater a inflação em gestação com juros altos.

Mas o ponto é o seguinte: para quem paga até 5 Selics (pessoas físicas) ou 3 Selics (pessoas jurídicas de médio porte), que diferença faz este 0,5% ? Quase nenhuma.

Acontece que bancos e financeiras, até por dever para com seus acionistas, acabam por aumentar a taxa de juros tabelada na agências. Portanto, se você for dinheiro nos próximos dias, provavelmente será convidado a pagar mais caro. Quem souber negociar, talvez não. Mas como a maioria das pessoas mal faz contas (só checa se cabe no orçamento)…

Pois saibam que: se os bancos/financeiras estiverem com muito apetite para emprestar, o spread poderia até cair e compensar a alta da Selic – improvável, mas possível. O inverso é também é possível – e sempre mais provável: quando a Selic começou a cair pra valer em 2006-07 a demanda por crédito era tão alta que as taxas não caíam na mesma velocidade, i.e. o spread aumentava (invisivelmente).

Mas importante mesmo foi a declaração do Sr. Marcio Cypriano, Presidente do Bradesco: “Os bancos devem olhar com mais cautela as suas operações de crédito, para manter a inadimplência sob controle”.

Sábias e proverbiais palavras: é o mercado se auto-regulando. Quando o maior banqueiro privado do país dá uma mensagem dessa, significa que a ‘locomotiva’ vai desacelerar. Nada que possa alarmar ninguém, mas o refinanciamento de dívidas não-pagas de devedores menos sólidos ficarão mais escassas, ou mais difíceis. Sofrerão os piores.

Crédito é negócio fortemente ligado à prudência, e é chegada a hora de sermos prudentes: tomadores e emprestadores. Voltarei ao tema, com um post sobre ‘volatilidade de crédito’, termo cunhado por este humilde escriba.

Abraços.

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