Mais uma do aerporto…

O Brasil lidera dois rankings indesejados para a populacao PF e PJ: o juro real mais alto do mundo e a carga tributaria idem.

Primeiro os impostos: historicamente, poucos pagavam impostos no Brasil, seja pela baixa renda da populacao, seja por sonegacao mesmo. Para compensar isto, nossos governante desenvolveram tremendo “expertise” neste campo, criando perolas como a CPMF e o PIS/COFINS.

O resultado eh que poucos que pagavam tudo, compensavam aqueles que não pagavam nada.

Porem, e ja não era sem tempo – digo como bom assalariado que tem o IR descontado na fonte – a maquina de arrecadacao da Receita Federal foi turbinada, assustando uma grande parcela de PF e PJ que praticavam o chamado “planejamento fiscal”.

Outro fator interessante – e recente – eh que um grande numeros de grandes empresas passaram a coibir certos tipos de sonegacao em suas cadeias, forcando seus fornecedores e clientes a andarem na linha (pelo menos parcialmente).

E mais: a onda de empresas que abriram, ou que querem abrir o capital, assim como aquelas que se associaram, ou que desejam se associar a investidores capitalistas (eg fundos de private equity), tambem tiveram que sair da informalidade.

Para concluir, ufa…, o volume de emprego formal aumentou muito, os salarios tambem, e as empresas estao faturando mais. Tudo isso porque a economia esta muito aquecida.

Essa incrivel combinacao de fatores vem fazendo que o nosso Leao da receita esteja anabolizado de tanto arrecadar. Lembram quando o governo perdeu a CPMF, em votacao historica no Seando? Ministros foram a TV dizer que teriam cortar investimentos e acoes sociais!

Que nada, a arrecadacao não parou de subir e a CPMF não fez falta para o governo. Mas fez um bem danado para a iniciativa privada.

Mais cedo ou mais tarde, os impostos cairao um pouco no Brasil. Mas so um pouco, pois programas assistenciais, como o Bolsa Familia, vieram pra ficar (pelo menos enquanto render tantos votos), e consomem impostos. Em outras palavras, o governo fara political social e distribuicao de renda via poltica fiscal. Gostemos ou não.

E o credito com isso?

1. Emprestador e segurador gostam de transparencia e não gostam de informalidade, ainda que saibam conviver com ela – não ha preconceito com quem sonega, mas aumenta a percepcao de risco.

2. O risco aumenta na medida em que a Receita Federal pode quebrar uma empresa “lucrativa”, dependendo do tamanho da multa.

3. Tem tambem o caso em que certas empresas, de certos setores, não sao rentaveis se pagarem todos os impostos devidos. Quem não se adaptar a um ambiente de negocio formal tera dificuldades no campo da rentabilidade e do credito.

4. Parecido com o item 3 eh o caso de empresas, antes informais a sua moda, que tem socios investidores ou que abriram capital na bolsa. A formalizacao custa caro e eh fator fundamental para que tais socios entrem no capital da empresa. Tem que haver auditoria, governanca pra valer, etc. E tem empresa – e socio fundador de empresa – que simplesmente não funciona neste ambiente formal.

Tudo isso tem que ser visto antes e direito, pois o mundo mudou e quem não se ajustar podera se machucar.

Abracos