O crédito continua crescendo entre as famílias, mas num rítmo menos frenético: em maio cresceu 1,4%, contra uma média de 2,1% no ano passado.

E os juros já mostram sinais de alta. Exemplos: o cheque especial para a PF atingiu, na média, 157% a.a., vindo de uma faixa de ‘apenas’ 140% no segundo semestre de 2007. No conjunto de todas as linhas de crédito para PF, a taxa média ficou em 47% a.a. (graças ao Consignado, que é ‘tabelado’), em queda em relação ao surto de altas em janeiro e fevereiro, por conta da antecipação de uma possível (e improvável) contaminação da crise americana (subprime). A taxa média fechou 2007 em queda, atingindo 44%, contra 48% meses antes.

A inadimplência atingiu sua marca mais alta em 12 meses (7,3% contra 6,9% em março), mas a média dos últimos 12 meses foi ao redor dos 7,1%, i.e. está subindo mas nada que justifique alta nas taxas.

Já ouvi gente falando que a desaceleração do crédito tem a ver com a alta da Selic, que está encarecendo os juros na ponta. Discordo. Minha visão:

  1. Os bancos, no melhor estilo da auto-regulação, reduziram o apetite de risco.
  2. O tomador não tem mais a mesma oferta, nem em volume, nem no número de bancos e financeiras.
  3. Como não tem para onde correr, perde o poder de barganha e o gerente da instituição financeira consegue melhores taxas de clientes em pior situação.
  4. Quem ainda não se enforcou – e, portanto, tem maior margem de manobra – começa a detectar a situação e a reduzir o rítmo de compras e financiamento.

Interessante notar que os empréstimos para aquisição de automóveis estão custando, em média, 30,6% a.a., o que me parece alto dado o perfil de risco mais baixo deste tipo de operação para os bancos. Sinal que a demanda dos clientes está aquecida, mesmo com o fato de montadoras e financeiras estarem com apetite para este tipo de operação.

A tendência está clara:

  1. Alinhamento entre tomandores e doadores de crédito: o limite de endividamento está próximo.
  2. A inadimplência está subindo. Não é alarmante, mas está subindo. Se a economia desacelerar, aí sim teremos um tsunami de atrasos de pagamento.
  3. As taxas de juros estão procurando um novo patamar de acomodação, mais baixo que o pico de janeiro último e mais alto que a média do 2o. semestre de 2007.

Mercado volátil…abraços