julho 2008


O amigo Fred Madureira fez um comentário recente, anexando o link abaixo. Como sei que nem todo mundo lê comentários (e o design deste blog praticamente os esconde), estou destacando-o de novo.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080730/not_imp214241,0.php

O jornalista entrevista o SEBRAE, que dá dicas para pequenas e microempresas, além do BB e da CEF, que são sem dúvida alguma os bancos com mais apetite para este tipo de risco corporativo.

As visões recém-postadas aqui no blog são confirmadas 100%.

Um novidade é a estória do pessoal da pizza. O que eles fizeram é o que eu chamo de Rede Colaborativa. Voltarei ao tema oportunamente.

Boa leitura (e obrigado ao Fred pela dica!). Abraços, FB

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A matéria on-line abaixo, do UOL deve ser manchete nesta 4af.

http://economia.uol.com.br/ultnot/2008/07/29/ult4294u1565.jhtm

Nota-se que as variações foram muito pequenas, porém, as tendências no curto/médio prazo são:

1. Redução do crescimento da oferta de crédito para Pessoa Física, com destaque para as classes mais baixas, que já tomaram mais crédito do que deviam, e que também serão mais expostas a desaceleração econômica e inflação – este segmento vem perdendo renda, fato que tende a se agravar.

Esta pequena alta dos juros para as PFs me parece ser reflexo da seguinte situação: (a) a SELIC aumentou e o banco remarcou a sua tabela nas agências, (b) o cidadão que precisa rolar seus empréstimos e que antes tinha várias opções, agora não as tem porque o apetite de risco dos bancos diminuiu, (c) ele(a) vai ter que pagar mais alto mesmo, pois perdeu poder de barganha.

Tendência: as PFs tenderão a pagar juros mais altos, na média, inclusive se a SELIC parar de subir, ou subir mais lentamente. É possível que os juros subam mais para os clientes de menor renda, sendo que para os demais segmentos a coisa se mantenha estável – tudo vai depender da concorrência entre os bancos, para a conquista de novos clientes da classe média.

2. Aumento da oferta de crédito para as Pessoas Jurídicas, em especial para as de média e pequeno porte: os bancos vêm constatando que este segmento está crescendo, se organizando e apresentando inadimplência estável. Esta é uma boa razão para esta leve – e surpreendente – redução dos juros (e ainda mais do spread bancário, pois a SELIC subiu no período).

Conversei com alguns bancos e estes me foram taxativos: “estamos investindo na contratação e treinamento de mais gerentes PJ.”

Tendência: spreads em queda; juros dependendo da SELIC. Haverá mais oferta de crédito. Porém, se a crise que eu e a Coface achamos que vem por aí, de fato vier, a tendência é que o consumo sofra, assim como as empresas mais frágeis (e.g. dependentes de crédito). Aí, o crédito via minguar e encarecer – e as neo-endividadas PMEs sofrerão. É bom ser cuidadoso, previdente…

Conforme discutimos nos dois posts anteriores desta série, a coisa é simples, não dá para errar, certo? Então por que bancos e empresas não se entendam e com tamanha frequência?

Vejamos agora os casos clássicos de “indigestão” creditícia que venho encontando pela vida:

1. Início de operações: apesar do bom senso dizer que não se usa crédito bancário nesta fase, o empresário usa seus limites na pessoa física, incluindo o cheque especial! 

2. Capital de giro: apesar de ser uma necessidade estrutural da empresa, muitas se utilizam da linha emergencial Conta Garantida, que é muito mais cara.

3. Expansão/aquisição: apesar do ativo adquirido dar retorno em vários anos, a empresa se financia em prazos curtos de 90, 180, 360 dias, tendo um grande descasamento de prazos.

4. Comércio exterior: apesar de poder se financiar em dolar, a custos mais baixos, PMEs costumam se financiar em reais, que é mais e, portanto, tira a competitividade da exportação.

Este descasamento de prazos nas operações Ativas e Passivas inviabilizam negócios e empresas. E não há um culpado único nestes casos. Já vi muito gerente e banqueiro induzir o empresário a tomar a linha errada – por temor de alongar o prazo do empréstimo, mas isto apenas empurra a empresa para o penhasco! Também já vi muito empresário ser descuidado e outros que diziam “não gosto de banco” (e por conta disso só tomavam linha curta – e errada).

A solução é complicada, pois as duas partes têm que caminhar um bom bocado. Já sabemos que linhas de longo-prazo são de maior risco para o banco e este vai demandar muita explicação sobre o uso do dinheiro, além de analisar a empresa de cima a baixo. Quem não estiver preparado para enfrentar esta diligência não conseguirá a linha mais adequada.

Da mesma forma, certas linhas nobres, como BNDES e as de comércio exterior, são extendidas apenas para clientes igualmente nobres. Cabe a você empresário, portanto, valorizar o seu negócio junto à comunidade financeira. Tipo, “Se não me derem o ACC, eu mudo a folha de pagamento dos meus funcionários para o Banco Z que já me ofereceu esta linha”.

Como você bem sabe, o ‘o ecossistema do crédito’ favorece problemas ‘alimentares’, então é bom saber quais são os anticorpos necessários para o seu organismos bem digerir o consumo de capital bancário:

1. Educação Creditícia: conhecer suas necessidades de crédito e o que há disponível.

2. Foco: não deixe a função Crédito se a sua última prioridade, pois quem pede linha de crédito em cima da hora, paga caro – e muitas vez nem as consegue. Observe também se o seu gerente tem competência e/ou interesse em lhe oferecer o produto adequado.

3. Capacidade de negociação: saiba valorizar os negócios que você gera para o banco. Negocie forte, coloque pressão (via concorrência).

Espero ter ajudado. Mas gostaria muito de ouvir histórias de empreendedores à respeito.

Abraços, Fernando

…dando continuidade à nossa saga de como tomar o crédito certo para a necessidade certa, na hora e no volume certo, vamos falar de:

2. Capital de Giro

  • Estas linhas se travestem de várias formas: Capital de Giro, Desconto de Duplicatas, Desconto de Cheques, Vendor, etc. Quase todo banco oferece este tipo de linhas, com maior ou menor restrição e custo.
  • É fundamental pedir a linha CERTA. Se a sua empresa tem um ‘buraco’ no seu ciclo de caixa de, digamos, 90 dias, no valor de R$ 2 milhões, é inadequado solicitar um empréstimo para o seu banco, no valor de $ 5 milhões e prazo de 180 dias, “só para ter uma folguinha”. Banco sabe fazer conta melhor que qualquer empresário e não lhe dará esta linha. Pior: seu nome vai ganhar uma (ou) ‘marquinha'(s) no ‘cadastro mental’ do gerente e/ou do comitê de crédito.
  • Exemplos de ‘marquinhas’: “O cliente não sabe fazer conta”, “O cliente é desorganizado”, “Ele quer captar mais do que precisa para usar em outro negócio que não consegue se manter”, “Ele quer captar mais do que precisa para comprar um carrão novo“. A lista é longa e não ajudará a vida do empresário no relacionamento com o banco.

3. Emergência

  • Todo e qualquer empresário tem dúzias de razões nobres para não conseguir liquidar um empréstimo na data pactuada (e.g. atraso no recebimento de uma duplicata grande, redução de vendas, atraso na entrega de mercadorias que atrasa a produção, atraso no desembolso de um outro empréstimo, acidente/dano industrial etc., etc.).
  • É para este tipo de ‘sangria temporária’ que existe a linha conhecida como Conta Garantida. Sem tirar nem pôr, é um cheque especial que o banco te oferece durante (e.g.) 180 dias (e.g. garantido por 50% de duplicatas). Até a data pactuada, você poderá sacar da linha no valor acordado e pronto.
  • Esta linha é, em geral, bem mais cara do que os empréstimos de capital de giro.
  • Esta linha se destina, portanto, para rombos temporários. Se o rombo se tornar estrutural (porque a empresa não consegue gerar caixa para zera-lo), troque a Conta Garantida por um Capital de Giro parcelado, com carência)

4. Expansão/aquisição

  • Os ativos de giro dão retorno, em geral, ao redor de 90 dias, que é o período que vai entre o pagamento dos fornecedores e o recebimento das duplicatas. Já os ativos permanentes só geram retorno a partir do 2o ano (no caso de um pequeno comércio), ou 5 anos (uma planta industrial) ou 15 anos (um avião de grande porte).
  • Portanto, as linhas a serem captadas para este fim tem que ter prazo similar.
  • No Brasil, BNDES é a fonte! Porém, muitos se queixam da demora do processo – e tem razão de reclamar. Outra dificuldade reside no fato de que quase nenhum gerente de banco gosta de empréstimos do BNDES- em especial os de agência, que atendem as empresas menores! Por que? São muito mais trabalhosas e rendem spreads menores, em geral.
  • O leasing também é uma ótima alternativa para aquisição de equipamentos que dão retorno em 2, 3 anos.
  • Linhas exteras de médio/longo-prazo andam escassas, mais curtas e mais caras, mas são elas que abastecem os bancos, para que você possa tomar um Capital de Giro parcelado de médio-longo prazo.

5. Comércio Exterior

  • O grande lance para quem exporta é poder captar linhas de capital de giro pré-embarque (o famoso ACC) e financiar o recebível põs-embarque (o igualmente famoso ‘irmão-siamês ACE).
  • Estas linhas são dolarizadas e são mais baratas que as similares denominadas em reais.
  • Como sua empresa vai receber o pagamento de suas exportações em dolar, não há um risco imenso de se endividar em dolar, ainda que a moeda possa flutuar no período.
  • As importações também podem ser financiadas por linhas externas, mas aí poderá haver descasamento de moeda e isto não é recomendável.
  • Para o longo-prazo, o exportador pode recorrer às linhas conhecidas como Pré-pagamento de Exportação (ou PPE, ou ainda EPP em inglês). Em geral, são utilizadas para financiar expansões empresariais, que gerarão fluxo de exportação no futuro. São operações estruturadas por áreas Corporate do bancos e, dificilmente, uma empresa PME conseguirá tal linha, mas não custa tentar.
  • Nenhuma linha externa está abundante atualmente. O jornal Valor desta 2af traz uma boa reportagem – comentarei nesta 3af.

PS: há outras linhas de longo-prazo, internacionais, extendidas por organismos multilaterais, como o IFC, ou de fomento à exportação, como o US Eximbank. Os volumes, porém, são marginais e a dificuldade de se obter grande demais.

É isso por hoje. Novamente, o objetivo desta série de posts é alertá-los para os perigos de se tomar crédito no prazo e na modalidade errada. Amanhã tem mais.

Saudações Santistas (depois do 5X2 de ontem, no Vasco, voltei a sorrir!),

Fernando

Boa madrugada,

Segue abaixo o link da entrevista que concedi para a Reuters.

http://www.estadao.com.br/geral/not_ger212403,0.htm

Por sinal, a Reuters é fantástica. Ao clicar no Google notei que a notícia repercutiu na mídia on-line inteira (e na top). A força desta agência é fenomenal.

Outra obersavação é sobre a capacidade que que bons jornalistas tem de transformar um tempo enorme de entrevista num texto conciso, objetivo, informando de forma bem encadeada o que é, de fato, essêncial. A jornalista Daniela Machado fez um belo trabalho. Um dia eu chego lá. Vai gostar de escrever romance lá longe, hein Fernando Blanco…

Abraços, F.

Boa noite,

Este é o primeiro de uma série de textos que escreverei, por conta das inúmeras vezes que encontrei empresas tomando linhas de crédito erradas para suas necessidades. A similaridade para com a ingestão de alimentos é enorme.

Não se come uma bela feijoada no café-da-manhã, certo? Igualmente, não é recomendável que se almoce um prato de amendoins, assim como jantar um pote de doce de leite apenas. Tem hora para tudo, sem falar nas quantidades adequadas.

Com o crédito é a mesma coisa: tem a hora certa (ou a fase em que a empresa se encontra) para se tomar cada uma das diversas linhas de crédito ofertadas no mercado, e sempre na medida adequada. Isto sob pena de inviabilzar o negócio e/ou infernizar a vida do empreendedor. No entanto, e com destaque para os pequenos e médios empresários, a maioria não capta a linha de crédito mais adequada para o seu negócio.

Exemplos e comentários:

1. Início de operações

  • Muita gente me pergunta qual a melhor linha de crédito bancário para se iniciar um negócio. Eu sempre respondo: o seu próprio dinheiro, seja ele poupado, herdado ou emprestado de um familiar tão querido, que não se importe muito se você não o pagar de volta. Parece piada, mas é muito sério.
  • Para a aquisição de equipamentos, máquinas e utensílios, o negócio é obter prazo com o fornecedor. Linhas de leasing, por terem a garantia do bem, são menos difíceis de se obter nos bancos.
  • E se o negócio tiver fortes elementos de tecnologia e inovação, vale a pena conhecer o www.finep.gov.br.
  • Linha de crédito bancário não é recomendado. Séro. O novo negócio, até por ser novo, é um ambiente de imensas incertezas, a começar pela geração de caixa no futuro, quando parte desta deverá ser utilizada para repagar o empréstimo tomado. 
  • Este processo, em geral, dá uma imensa dor de cabeça, certamente desfocando o empresário do seu negócio, i.e. são mais horas na frente do gerente do banco do que na frente dos clientes.
  • Se não houver outro jeito, tente o milagre supremo de conseguir uma linha de prazo mais longo, tal como um capital de giro parcelado de 1 ano (com alguma carência).
  • Se o negócio for uma franquia, tente, através do franqueador, uma linha que Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal anunciam ter para franqueados. Leiam o link abaixo e atualizem-se à respeito.

http://www.sebrae-sc.com.br/noticias/default.asp?materia=13585

É isso por hoje. Amanhã comentarei sobre capital de giro e outras necessidades. Abraços! F.

PS: pedõem-me, mas não como sei este ‘verde’ entrou, nem consigo tirá-lo. Dei uma negritada para melhorar a leitura…espero.

Prezados, o relatório abaixo compara dados de maio/2008 com maio/2007 e dá algumas dicas sobre a evolução do crédito no país.

http://www.febraban.org.br/arquivo/destaques/20080624%20Relatório%20FEBRABAN%20Evolucao%20do%20Credito.pdf

A primeira constatação mais óbvia, é que o crédito PF vem crescendo muito, ainda que com menos velocidade. E o tão falado crescimento no crédito imobiliário, apesar de verdadeiro, ainda representa apenas 1% do total. Tem muito pra crescer – mas antes disso acontecer, o ideal seria que a renda da crescesse primeiro.

Uma notícia legal do lado das PJs, é que o crescimento das operações de Capital de Giro cresceram mais do que as de Conta Garantida, que é mais cara. De toda forma, ainda há muito empresário tomando este tipo de crédito (falarei sobre isto no próximo post).

E a Febraban mostra, com dados do Banco Central, que os juros subiram neste período de 12 meses. Vale notar o pico ocorrido em janeiro deste ano, por conta da crise do subprime americano. A crise não tinha nada a ver com o Brasil, mas em momentos de volatilidade é onde se ganha dinheiro – e os bancos ganharam. Mas, conforme um dos últimos posts, você pode e deve evitar de cair nessa,  mas tem que negociar forte.

Abraços, FB

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