A inflação chegou aqui e no mundo todo, sem excessão. Ela será combatida com alta nas taxas de juros, aqui e no mundo todo. No Brasil e na Europa já começou. Nos EUA ainda vai demorar a subir, porque lá tem recessão (qual será o mal maior?). Na China ainda há alguma dúvida, mas não terão muita opção.

Bom, e o seu crédito com isso?

  1. A primeira preocupação que o empresário deve ter é como evitar que a inflação reduza a sua rentabilidade e a geração de caixa. Ex: conseguirá trocar de fornecedores ou substituir itens de custo (e.g. matéria-prima, componentes, produtos que comercializa, etc.) para reduzir seus custos. Ou ainda, por mais me doa como fornecedor, conseguirá repassar o aumento de custos para seus clientes sem perde-los?
  2. A segunda preocupação que o empresário (que deve dinheiro na praça) é como explicará o efeito da inflação no seu negócio e qual será a estratégia para reduzir eventuais impactos nocivos.

Por que?

  • Se o seu financiador percebe que a inflação vai reduzir a sua geração de caixa e, portanto, comprometer a sua capacidade de repagamento do empréstimo/financiamento, sua empresa corre o risco de ter suas linhas de crédito diminuída, encurtada, encarecida, zerada…

Mas informar o que? Os exemplos são infinitos, pois mudam de setor para setor, mas que tal:

  • Explicar como, de fato, a inflação impacta o seu negócio. Quais itens de custo estão aumentando de preço e como/quanto (e.g. são indexados, dolarizados, etc.); em que magnitude estão subindo vis-a-vis a sua capacidade de reajustar o seu preço de venda; o que está causando tal alta (mostre que domina a sua cadeia de fornecimento); discuta as alternativas de fornecimento.
  • Raciocínio equivalente se aplica às vendas. Por exemplo: discuta a sua capacidade de repassar a sua ‘inflação interna’; os seus clientes estão sofrendo com a inflação? Você não quer um cliente que vá quebrar e te gerar perda de crédito, então é bom analisar a situação dele também. Pode ser que a cadeia de valor esteja toda comprometida, ou não.
  • Você deve entender e comunicar a situação dos seus concorrentes: estarão eles perdendo competitividade também? Estarão eles mais capitalizados que a sua empresa/você, tendo, portanto, maior capacidade para sacrificar margens, ou até sobreviver com menos linhas de crédito.
  • Demonstrar claramente qual a sua estratégia para enfrentar a possível crise. Isto transmitirá mais segurança para o seu financiador. Mas tem demonstrar conhecimento de causa, consistência com a própria capacidade de executar o plano e o momento do mercado.
  • O que você precisará dos seus financiadores: isto tem que ficar claro. “Vou precisar de mais prazo a partir do mês que vem, de 45 dias para 60 dias. Acredito quem em 3 meses estarei com o fluxo de caixa estabilizado e voltamos aos 45 dias”. Isto é muito melhor do que dizer: “Vou atrasar o pagamento de hoje porque…mas nuns 15 dias acertamos”.

Estas questões são básicas para qualquer empresário nos dias de hoje. Agora, o que não é comum ou obvio é que isto tudo tem que estar ‘na ponta da língua’ e ser bem explicado para o seu banqueiro,  financiador ou seguradora de crédito.

A regra é sempre a mesma: não deixe que os seus financiadores ACHEM que a coisa pode estar ruim para o seu lado ou que podem piorar. INFORME-OS, DESMISTIFiQUE a situação. Deixar banqueiro na dúvida é o pior caminho a seguir. Antecipar problema e a solução também.

Inflação pede: maestria na gestão de custos; sensibilidade apurada na gestão de clientes; muita comunicação na relação com os financiadores.

Abraços