Santander + Real vem aí…

Olá,

O link abaixo, da revista The Economist, dá uma noção sobre a situação vexatória que se encontram muitos dos bancos envolvidos na crise do subprime americano. Outrora estrelas na constelação do mercado financeiro global, hoje se encontram num ‘corner’ sem igual: seria ótimo que fossem comprados – ou fundidos – por outros mais capitalizados, mas não encontram interessados.

Lembro-me de um ‘causo’ do início dos anos 90: o gigantesco ING Groep, da Holanda, se aproximou do muito menor – porém, infinitamente mais chic – Barings, do Reino Unido, com a intenção de comprá-lo. Na conversa entre os Chairmen, em Londres, após ouvir as intenções do ING o chairman do Barings se virou para o holandês e perguntou: “I am sorry, but who’s buying who here?” – um ultraje para o gigante batavo, mas o pequenino banco inglês sentiu-se insultado ao ser abordado por um…banco comercial (considerado de ‘pedigree’ pior). Quis o destino que o Barings quebrasse ao redor de 1997, para ser resgatado pelo…ING. Criou-se então o tão sonhado ING Barings.

http://www.economist.com/finance/displayStory.cfm?source=hptextfeature&story_id=11707887

Mas existe uma outra faceta muito mais delicada para você – na PF e na PJ – quando bancos se fundem, RARAMENTE AS LINHAS DE CRÉDITO SÃO SOMADAS!!

Explicando:

  1. O Banco A tem uma linha de crédito de R$ 1 milhão para a sua empresa.
  2. O Banco B tem outra linhas de crédito de R$ 2 milhão para a sua empresa.
  3. O Banco A compra o Banco B (mas tanto faz se fosse o contrário).
  4. Quando o novo Banco AB passar a existir, a quase única certeza é que a sua empresa não passará a ter um novo limite de crédito de R$ 3 milhões (i.e. a soma dos limites anteriores).
  5. O novo limite dependerá de quem for o novo Diretor de Crédito, assim como os novos membros votantes do Comitê de Crédito. Se prevalecer a turma que havia aprovado apenas R$ 1 milhão, a tendência é que o novo limite sequer chegue a R$ 2 milhões, i.e. tende-se a perder R$ 1 milhão. Se “os vencedores” forem da turma que havia aprovado R$ 2 milhões, i.e. os mais liberais, ou que melhor conhecem o seu negócio, suas chances melhoram: pode ser até que fique acima de R$ 2 milhões (e.g. R$ 2,5 mm).

É sabido que Real e Santander irão fundir suas operações, mais cedo ou mais tarde – mas a gestão conjunta de crédito já começou. Comentários e sugestões para você que tem linhas nos dois bancos:

  1. Quem vai mandar no Crédito lá é o pessoal da Espanha, o que é natural neste caso.
  2. Se a sua empresa tem grande dependência das linhas que tem nestes bancos, deverá fazer a análise acima, i.e. (a) se a linha do Real for muito maior, você correrá mais risco de perder limite; (b) se a do Santander for muito maior, a coisa ficará menos complicada.
  3. De qualquer forma, se eu estivesse na situação “a” certamente reforçaria o meu relacionamento com o Santander, até para ficar mais conhecido pelos decisores de España. Se eu sequer tivesse conta lá, seguramente abriria uma antes da fusão (pelo mesmo motivo). E abriria também em outro banco, só para me garantir! Linha de crédito nunca é demais nestas horas.
  4. O lado bom é que os espanhóis já disseram que uma das grandes complementaridades com o Real se dá justamente nas empresas de Pequeno e Médio Porte (as PMEs), onde o Real tem presença mais sólida.

Isto é sério! Eu ouvi da boca de um empresário: “Você não sabe, eu tinha conta no Bradesco, no Boa Vista, no Banco Cidade e no BCN. Quando o Bradesco comprou e fundiu todos estes bancos as minhas linhas foram cortadas pela metade. Foi um sufoco…”.

O banco quer ganhar dinheiro e sabe que ao cortar as linhas está deixando de realizar os resultados que haviam projetado quando compraram o outro banco. Mas a cultura de crédito dos bancos é rígida e todos  se guiam pelo que chamamos de apetite de risco, i.e. se o banco acha que sua empresa vale R$ 1 milhão, é R$ 1 milhão e pronto! Com fusão, sem fusão ou confusão: não passará disso, salvo um fato novo.

Cabe a você criar e apresentar este fato novo!

Abraço e fique ligado!

Fernando

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