Prezados,

A jornalista Cristiane Lucchesi assina no Valor de hoje, uma reportagem em que destaca a considerável queda nas captações externas de empresas e governo brasileiros.

Segundo a reportagem, o total destas captações no 1o semestre deste ano totalizaram USD 11, 2 bilhões, ou 44,2% a menos do que foi captado no 1o semestre de 2007.

Os motivos destacados não surpreendem:

  1. Menor apetite de investidores que compram bonds e dos bancos que carregam posições de syndicated loans.
  2. Só há demanda para papéis de curto-prazo e de nomes mais tradicionais, para fundos de dívida.
  3. Analistas são categóricos em dizer que a situação vai se agravar no segundo semestre e que a escassês vai perdurar, pois a crise na economia real ainda não começou!

De concreto para o Brasil, isto significa menor capacidade dos bancos locais captarem recursos para repasse (Res.2770). O custo destas linhas havia aumentado ao redor de 0,5% a.a., o que não é muito, mas acredito que ainda vai aumentar mais, em função da seletividade de investidores e bancos.

Conselho: empresas – de qualquer porte – que são tomadoras de crédito – local ou externo – devem acelerar seus planos de captação e alongar ao máximo seus passivos. Minha análise de cenário é a seguinte:

  1. Oferta de crédito: é mais provável que diminua do que aumente.
  2. Custo do crédito: é mais provável que suba do que desça.

Não tenho prazer em passar este tipo de mensagem, mas, de qualquer forma, bom final de semana!

Abraços, FB