O Texto abaixo poderia ser meu, mas é do editorial da Folha de São Paulo, gentilmente enviado pelo amigo Raul Marinho.

Vale notar que o crédito para as PJ’s aumentou e muito, mas não tanto como o texto sugere. Naturalmente, muitas PJ’s já tomavam dinheiro através de factorings, mas com o maior apetite dos bancos, estas acabaram migrando para as linhas bancárias – o que deve ter sido bom, pois devem estar pagando juros menos altos.

De qualquer forma, a economia que cresceu 5,4% em 2007 e entrou o 1o trimestre de 2008 acelerando ao redor de 6%, deverá fechar o ano entre 4% e 4,5%, i.e. vai continuar crescendo mas vai desacelerar.

Sabe aquela brincadeira (sem graça) que diz que a maternidade é uma certeza e a paternidade uma suposição?  É a mesma coisa no mundo do crédito: os juros e o principal a pagar são uma certeza; a geração de caixa do endividado é uma suposição!

Olho vivo! Abs, Fernando

Empréstimos Empresariais

OS EMPRÉSTIMOS para as empresas dispararam. O saldo de operações com recursos domésticos livres para as pessoas jurídicas avançou 42,1% no período de 12 meses findo em maio. As operações ainda se concentram, porém, no curto prazo. São de prazo curto ou curtíssimo 57% das operações de crédito com pessoas jurídicas.
A linha de capital de giro tem se revelado especialmente dinâmica. Em maio, o saldo da modalidade atingiu R$ 126,6 bilhões, 77,6% a mais do que no mesmo mês de 2007. A expansão da atividade econômica amplia as necessidades de capital de giro: tanto as contas a receber como as contas a pagar das empresas crescem. O crédito bancário viabiliza compras de matérias-primas e financiamento das vendas.
No entanto, apesar de as linhas de capital de giro, por seu prazo curto, serem mais adequadas ao financiamento das necessidades correntes das companhias, boa parte desses recursos tem sido direcionada para investimentos em ampliação de capacidade produtiva. Ou seja, um número crescente de empresas estaria assumindo dívidas de prazo curto para adquirir máquinas, equipamentos e instalações.
Esse movimento está sendo feito sobretudo por empresas de pequeno porte, sem acesso ao mercado de capitais. É mais um sintoma da necessidade de que sejam ampliados os instrumentos de longo prazo disponíveis no sistema bancário nacional para financiar investimentos.
Outra limitação diz respeito ao alto custo do crédito. Nas operações de capital de giro, os juros subiram para 31,3% ao ano. Nas contas garantidas (um cheque especial para empresas), chegaram a 66,4% ao ano.
É provável que o BC determine novos aumentos da taxa básica de juros nos próximos meses. Com isso, a perspectiva é de encarecimento adicional do crédito -diante do qual empresas endividadas deveriam se acautelar.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1407200802.htm