Olá,

O último post foi brindado com dois comentários – da Zailda e do Faber -, que originaram o título deste post. Abaixo, indico dois traços marcantes do nosso empresariado:

  1. O brasileiro tem uma essência empreendedora, pois é criativo, otimista, não desiste nunca.
  2. Mas o brasileiro, até pela sua capacidade inventiva  – e “inventiva” -, tende a desprezar importantes competências para o sucesso: disciplina, método, estudo (em geral).

A Zailda comentou que no Brasil poucos tem acesso à informação – VERDADE. E quando tem não a usam – TRISTE VERDADE. Tenho certeza que o empreendedor alemão, dinamarquês e autríaco enfrentam apenas 10% dos desafios que os brasileiros tem pela frente, mas ainda assim são mais detalhistas, planejados, etc., que os nossos.

Já o Faber comenta que o empresário, no fim das contas, acaba tendo que encarar os juros altos, etc. Graças a Deus que nossos empreendedores não se acovardam frente às suas imensas dificuldades, como juros altos, impostos altos, etc. É por isso que o país anda!

O drama é que poderiam pagar menos juros se fossem mais preparados. Eu sei que a vida é dura, que o empreendedor tem que abrir a loja/fábrica, produzir, vender, contabilizar, zerar o caixa e fechar a loja/fábrica. Exagero? Uma vez, quando fui palestrar na dinâmica Birigui, capital do calçado infantil, o Sindicato local me pediu que a palestra começasse à 18 horas – e não antes. Ao estranhar a precisão do horário, me explicaram que os empresários tinham que ‘fechar a fábrica’ e que isto aconteceria ao redor das 17:30. Foi um choque de realidade para mim.

Falta estrutura administrativa para o empresariado brasileiro. Tem o SEBRAE, tem a ENDEAVOR, tem o apoio que as instituições de classe oferecem. Só não se prepara quem não quer –  e não estou falando apenas de crédito, não. Isto vale para todo mundo.

Ah, mas o empresário não tem tempo. Puxa, mas não dá para contratar uns estagiários? Tem uma garotada super bem informada, capaz de dar uma tremenda ajuda na gestão, na captura de informações, etc.

Enxergo duas questões aqui:

  • Há toda uma geração de empreendedores “tecnicos”, i.e. que aprenderam o ofício na raça, sem estudar muito – em especial estudo de gestão.
  • Existe o fato também que uma vez que o empreendedor é ‘sugado’ pelo rodamoinho dos negócios, ele tende a não mais se concentrar para analisar detalhes. A dinâmica mental altera-se profundamente.

Amarrando estes dois pontos, temos: “Um leigo em finanças e mercado financeiro, com pressa e sem concentração para discutir um assunto que não faz parte do foco do negócio dele”. Não dá para ser pior…

Lançarei a campanha: “Contrate um estagiário e modernize a gestão da sua empresa”. Até eu, na pessoa fisica, estou contratando um para fazer pesquisas sobre crédito!

Abraços, FB