Conforme discutimos nos dois posts anteriores desta série, a coisa é simples, não dá para errar, certo? Então por que bancos e empresas não se entendam e com tamanha frequência?

Vejamos agora os casos clássicos de “indigestão” creditícia que venho encontando pela vida:

1. Início de operações: apesar do bom senso dizer que não se usa crédito bancário nesta fase, o empresário usa seus limites na pessoa física, incluindo o cheque especial! 

2. Capital de giro: apesar de ser uma necessidade estrutural da empresa, muitas se utilizam da linha emergencial Conta Garantida, que é muito mais cara.

3. Expansão/aquisição: apesar do ativo adquirido dar retorno em vários anos, a empresa se financia em prazos curtos de 90, 180, 360 dias, tendo um grande descasamento de prazos.

4. Comércio exterior: apesar de poder se financiar em dolar, a custos mais baixos, PMEs costumam se financiar em reais, que é mais e, portanto, tira a competitividade da exportação.

Este descasamento de prazos nas operações Ativas e Passivas inviabilizam negócios e empresas. E não há um culpado único nestes casos. Já vi muito gerente e banqueiro induzir o empresário a tomar a linha errada – por temor de alongar o prazo do empréstimo, mas isto apenas empurra a empresa para o penhasco! Também já vi muito empresário ser descuidado e outros que diziam “não gosto de banco” (e por conta disso só tomavam linha curta – e errada).

A solução é complicada, pois as duas partes têm que caminhar um bom bocado. Já sabemos que linhas de longo-prazo são de maior risco para o banco e este vai demandar muita explicação sobre o uso do dinheiro, além de analisar a empresa de cima a baixo. Quem não estiver preparado para enfrentar esta diligência não conseguirá a linha mais adequada.

Da mesma forma, certas linhas nobres, como BNDES e as de comércio exterior, são extendidas apenas para clientes igualmente nobres. Cabe a você empresário, portanto, valorizar o seu negócio junto à comunidade financeira. Tipo, “Se não me derem o ACC, eu mudo a folha de pagamento dos meus funcionários para o Banco Z que já me ofereceu esta linha”.

Como você bem sabe, o ‘o ecossistema do crédito’ favorece problemas ‘alimentares’, então é bom saber quais são os anticorpos necessários para o seu organismos bem digerir o consumo de capital bancário:

1. Educação Creditícia: conhecer suas necessidades de crédito e o que há disponível.

2. Foco: não deixe a função Crédito se a sua última prioridade, pois quem pede linha de crédito em cima da hora, paga caro – e muitas vez nem as consegue. Observe também se o seu gerente tem competência e/ou interesse em lhe oferecer o produto adequado.

3. Capacidade de negociação: saiba valorizar os negócios que você gera para o banco. Negocie forte, coloque pressão (via concorrência).

Espero ter ajudado. Mas gostaria muito de ouvir histórias de empreendedores à respeito.

Abraços, Fernando

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