…dando continuidade à nossa saga de como tomar o crédito certo para a necessidade certa, na hora e no volume certo, vamos falar de:

2. Capital de Giro

  • Estas linhas se travestem de várias formas: Capital de Giro, Desconto de Duplicatas, Desconto de Cheques, Vendor, etc. Quase todo banco oferece este tipo de linhas, com maior ou menor restrição e custo.
  • É fundamental pedir a linha CERTA. Se a sua empresa tem um ‘buraco’ no seu ciclo de caixa de, digamos, 90 dias, no valor de R$ 2 milhões, é inadequado solicitar um empréstimo para o seu banco, no valor de $ 5 milhões e prazo de 180 dias, “só para ter uma folguinha”. Banco sabe fazer conta melhor que qualquer empresário e não lhe dará esta linha. Pior: seu nome vai ganhar uma (ou) ‘marquinha'(s) no ‘cadastro mental’ do gerente e/ou do comitê de crédito.
  • Exemplos de ‘marquinhas’: “O cliente não sabe fazer conta”, “O cliente é desorganizado”, “Ele quer captar mais do que precisa para usar em outro negócio que não consegue se manter”, “Ele quer captar mais do que precisa para comprar um carrão novo“. A lista é longa e não ajudará a vida do empresário no relacionamento com o banco.

3. Emergência

  • Todo e qualquer empresário tem dúzias de razões nobres para não conseguir liquidar um empréstimo na data pactuada (e.g. atraso no recebimento de uma duplicata grande, redução de vendas, atraso na entrega de mercadorias que atrasa a produção, atraso no desembolso de um outro empréstimo, acidente/dano industrial etc., etc.).
  • É para este tipo de ‘sangria temporária’ que existe a linha conhecida como Conta Garantida. Sem tirar nem pôr, é um cheque especial que o banco te oferece durante (e.g.) 180 dias (e.g. garantido por 50% de duplicatas). Até a data pactuada, você poderá sacar da linha no valor acordado e pronto.
  • Esta linha é, em geral, bem mais cara do que os empréstimos de capital de giro.
  • Esta linha se destina, portanto, para rombos temporários. Se o rombo se tornar estrutural (porque a empresa não consegue gerar caixa para zera-lo), troque a Conta Garantida por um Capital de Giro parcelado, com carência)

4. Expansão/aquisição

  • Os ativos de giro dão retorno, em geral, ao redor de 90 dias, que é o período que vai entre o pagamento dos fornecedores e o recebimento das duplicatas. Já os ativos permanentes só geram retorno a partir do 2o ano (no caso de um pequeno comércio), ou 5 anos (uma planta industrial) ou 15 anos (um avião de grande porte).
  • Portanto, as linhas a serem captadas para este fim tem que ter prazo similar.
  • No Brasil, BNDES é a fonte! Porém, muitos se queixam da demora do processo – e tem razão de reclamar. Outra dificuldade reside no fato de que quase nenhum gerente de banco gosta de empréstimos do BNDES- em especial os de agência, que atendem as empresas menores! Por que? São muito mais trabalhosas e rendem spreads menores, em geral.
  • O leasing também é uma ótima alternativa para aquisição de equipamentos que dão retorno em 2, 3 anos.
  • Linhas exteras de médio/longo-prazo andam escassas, mais curtas e mais caras, mas são elas que abastecem os bancos, para que você possa tomar um Capital de Giro parcelado de médio-longo prazo.

5. Comércio Exterior

  • O grande lance para quem exporta é poder captar linhas de capital de giro pré-embarque (o famoso ACC) e financiar o recebível põs-embarque (o igualmente famoso ‘irmão-siamês ACE).
  • Estas linhas são dolarizadas e são mais baratas que as similares denominadas em reais.
  • Como sua empresa vai receber o pagamento de suas exportações em dolar, não há um risco imenso de se endividar em dolar, ainda que a moeda possa flutuar no período.
  • As importações também podem ser financiadas por linhas externas, mas aí poderá haver descasamento de moeda e isto não é recomendável.
  • Para o longo-prazo, o exportador pode recorrer às linhas conhecidas como Pré-pagamento de Exportação (ou PPE, ou ainda EPP em inglês). Em geral, são utilizadas para financiar expansões empresariais, que gerarão fluxo de exportação no futuro. São operações estruturadas por áreas Corporate do bancos e, dificilmente, uma empresa PME conseguirá tal linha, mas não custa tentar.
  • Nenhuma linha externa está abundante atualmente. O jornal Valor desta 2af traz uma boa reportagem – comentarei nesta 3af.

PS: há outras linhas de longo-prazo, internacionais, extendidas por organismos multilaterais, como o IFC, ou de fomento à exportação, como o US Eximbank. Os volumes, porém, são marginais e a dificuldade de se obter grande demais.

É isso por hoje. Novamente, o objetivo desta série de posts é alertá-los para os perigos de se tomar crédito no prazo e na modalidade errada. Amanhã tem mais.

Saudações Santistas (depois do 5X2 de ontem, no Vasco, voltei a sorrir!),

Fernando

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