O jornal Valor Econômico de hoje trás uma longa e interessante reportagem de M.Christina Carvalho com F.Barbosa. Como o valoronline.com.br tem ‘cadeado’ para não assinantes – e o texto é longo demais – selecionei o que considero essêncial e correlacionado com a missão deste blog.

Boa leitura e fiquem à vontade para debater. Abraços, F.

Valor: Considera necessário o atual movimento de elevação dos juros? Por quê? Qual sua previsão para a taxa Selic no final do ano?

Barbosa Entendo a elevação da Selic em 0,75 de ponto como a tradução concreta das declarações do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, no Congresso, de que o BC agiria “vigorosamente” e faria “o que for necessário” para trazer a inflação para o centro da meta. A maior parte dos analistas dos bancos consultados regularmente pela Febraban espera, agora, uma Selic de 14,70% no final deste ano e de 13,88% para 2009. Antes da última reunião do Copom, estimavam 14,25% para o final de 2008 e 12,50% para 2009. Em função do surto inflacionário, doméstico e internacional, aumentou a incerteza sobre o teto de juros que será necessário para estabilizar os preços. Assim, justifica-se que os bancos, agora, projetem uma queda menor da Selic para 2009. Ou seja, a tendência é de a queda ser lenta e gradual. Mas para 79,2% dos analistas, o atual ciclo de aperto monetário será suficiente para conter as expectativas de inflação e trazê-la para o centro da meta em 2009.
Valor: Qual impacto que o movimento dos juros deve ter no crédito?

Barbosa Algumas modalidades já estão diminuindo o ritmo, entre elas veículos e consignado, que são duas carteiras expressivas. A pesquisa da Febraban indica, após a reunião e a Ata do Copom, uma continuidade da expansão das operações de crédito em todos os segmentos, especialmente para as operações com pessoas físicas, esta da ordem de 27,51%. Mas já havia analistas indicando a possibilidade de arrefecimento da expansão do crédito para este ano. Para 2009, a expectativa é de desaceleração das operações de crédito, para, em média, 22,64%. O financiamento de veículos deve crescer 24,76% para 2008 e 19,66% para 2009.

Valor: A inadimplência já inspira preocupação?

 

Barbosa Com a renda e o emprego em níveis recorde como estão, a inadimplência não preocupa. De acordo com as projeções da Febraban, mesmo com o aumento das operações de crédito, espera-se que a taxa de inadimplência permaneça estável, tendo sido projetada em 4,26% na última pesquisa, frente aos 4,71% registrados em 2007. Para 2009, a projeção era de 4,02%.

Anúncios