Segue abaixo reportagem do Valor Econômico de hoje, editada para manter o foco. Há vários motivos para o maior varejista do país aumentar o prazo de vendas. Tentemos ler e concluir o que não está escrito:

  1. MUITO PROVÁVEL: Mesmo os bons clientes da casa (aqueles que ao pagar a 5a parcela da geladeira são seduzidos a comprar, sempre a prazo, e.g., um dormitório) estão com o orçamento esgotado e o salário não mais acomoda novas parcelas de crediário.
  2. MUITO PROVÁVEL: Mesmo sem fazer novas compras, muitos clientes estão com o poder de compra reduzido, por conta da inflação.
  3. POUCO PROVÁVEL: Passaram a atingir um novo nicho de clientes, com menor poder aquisitivo, que precisa de mais prazo para que a parcela do crediário se acomode no orçamento mensal.
  4. SERÁ?: o aumento dos juros (SELIC) foi baixo demais e os grandes varejistas conseguem boas taxas de juros dos grandes bancos. Será que repassaram os juros com um spread muito alto?

De qualquer forma – e mesmo respeitando a inegável competência da família Klein na gestão do risco de crédito no varejo -, definitivamente não me parece a hora de expandir esta carteira. Afinal, alongar prazo é extender risco.

Pelo contrário, o movimento que detectamos aqui na Coface (www.coface.com.br) é uma contínua e crescente aversão ao risco de crédito comercial. Daí a nossa carteira de seguros ter duplicado nos últimos 12 meses!!

Abraços, F.

Casas Bahia estica prazo de pagamento

Claudia Facchini, de São Paulo
14/08/2008

Com a alta da inflação e dos juros, as varejistas colocaram em prática o “plano b” e conseguiram fazer com que os consumidores não saíssem da loja sem comprar. A Casas Bahia, maior rede de eletrônicos e móveis do país, ampliou o número de prestações para não precisar aumentar o valor das parcelas, o que suavizou o impacto de juros e preços mais salgados. Em vez de oito vezes, a varejista passou neste ano a dividir, em média, os pagamentos em dez parcelas fixas.