Pergunte-se: quando você está dirigindo, qual é a proporção de tempo que você gasta olhando para a frente, para se guiar, e qual é aquela que gasta olhando no retrovisor, para saber quem vem atrás? Eu nunca prestei atenção nisso, mas deve ser algo como 70-30 e olha que eu pratico a chamada ‘direção defensiva’.

Nota do editor: não vale pensar como Paulistano, que passa 90% do tempo parado no transito…

Pois bem, onde quero chegar: se o jogo da vida (e dos negócios) é jogado pra frente, para o futuro, por que será que a maioria das notícias sobre economia foca tanto no passado? Exemplos: “o crescimento da indústria neste primeiro semestre foi de…”, “o nível de emprego nunca foi tão alto…”, etc., etc.

Outra pergunta: estas notícias são INTERESSANTES ou IMPORTANTES? Fecho em interessantes.

Agora eu respondo: e daí que o desemprego está baixo e o crescimento foi grande, se vier uma desaceleração forte e pegar os empresários cheios de estoques e duplicatas a receber, i.e. sem capital de giro e endividados? Com receitas e fluxo de caixa em baixa, como irão pagar ou rolar suas dívidas (assumindo que o crédito ficará mais escasso e, portanto, caro)?

A provocação é porque eu acho que há uma incrível desproporção no número de matérias PASSADO – FUTURO e, pior, na qualidade das mesmas! As análises prospectivas são muito pobres!

Deixo aqui registrada a minha contrariedade. Abraços, F.

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