Pois é, amigos, este blog (e seu editor) vem postando sobre o desaquecimento da economia global e sobre o risco (certo) de que o país será atingido em breve. Após um certo tempo pregando no deserto, está chovendo notícias – e chutes – sobre o tema. Abaixo, segue uma nota do Valor Econômico auto-explicativa. Abraços, Fernando

PS: eu não tenho nenhuma satisfação em acertar profecias de mau agouro (nem mesmo intelectual).

PS 2: Obrigado, Raul!

Brasil entra em fase de contração econômica, diz FGV

SÃO PAULO – O Índice de Clima Econômico (ICE) da América Latina manteve-se em trajetória de queda – saiu de 4,9 pontos em abril para 4,6 pontos em julho. Aliás, desde outubro de 2007, o indicador vem apresentando desaceleração, apontou a Fundação Getulio Vargas (FGV) em nota divulgada nesta quarta-feira.

O organismo destacou que a piora do ICE da América Latina “acompanha a tendência mundial”, com o indicador do mundo indo de 4,6 pontos para 4,1 pontos entre abril e julho, mas ressalvou haver uma diferença importante.

“Na América Latina, a combinação de um Índice da Situação Atual satisfatório (acima de 5 pontos) com um Índice de Expectativas ruim (abaixo de 5 pontos) indica que a região está numa fase descendente do ciclo econômico. No mundo, tanto o ISA (4,7 pontos) quanto o IE (3,5 pontos) apontam deterioração das condições. A economia mundial teria atingido a fase recessiva do ciclo econômico”, observou a FGV.

O ISA latino-americano foi de 5,8 pontos para 5,7 pontos entre abril e julho e o IE, de 4 pontos para 3,4 pontos.

Sobre o Brasil especificamente, o organismo revelou que o país “entra na fase de contração do ciclo econômico”. O ISA ficou em 7,2 pontos contra os 7,9 pontos antecedentes. O IE marcou 3,8 pontos em julho ante os 5,1 pontos de abril. O resultado abaixo de 5 pontos sugere, conforme a FGV, que as condições econômicas para daqui a seis meses devem ser ruins. O ICE brasileiro situou-se em 5,5 pontos, inferior aos 6,5 pontos verificados em abril.

Apesar disso, o país continua bem posicionado no ranking do Índice de Clima Econômico, perdendo para Uruguai e Peru, por exemplo, onde o ICE equivaleu a 8 pontos e 7,8 pontos, respectivamente. No caso do Paraguai, o ICE foi de 5,8 pontos. Na outra ponta, com os indicadores mais baixos, figuraram Equador (ICE de 3,7 pontos) e Argentina (ICE de 2,7 pontos).

O ICE é feito em parceria do instituto alemão Ifo e a FGV e é composto por dois quesitos de natureza qualitativa, o ISA e o IE, que tratam, respectivamente, da situação econômica geral do país no momento e nos próximos seis meses