Segue abaixo as manchetes de alguns dos principais veículos de comunicação do país, sobre a “nota para a imprensa” do Banco Central que trata de crédito e juros.

Apenas o IG foi original, ao destacar a fala da FEBRABAN, que “prefere” que o consumo seja mais moderado em 2009. Os demais ‘choveram no molhado’, pois disseram que o crédito cresceu – ainda que esteja bem menos ‘fogoso’ na pessoa física – e que os juros estão em alta. Acho que falta análise, como de hábito.

A dupla IG/FEBRABAN acertou no alvo: o apetite de consumo das famílias, que desprezam o comprometimento da própria renda ao se endividarem continuamente no longo prazo, poderá levar a uma situação pouco sustentável no médio prazo.

Os juros estão subindo por alguns motivos:

  1. A SELIC sobe, o custo para os bancos sobe e eles o repassam enquanto tenha cliente que pague.
  2. A população está aceitando o repasse e paga juros mais altos.
  3. Acho – talvez só eu, porque ninguém fala/escreve isso – que tem muita gente inadimplente e rolando dívida com custo mais alto e isto puxa a média das taxas para cima.

Por conta deste item ‘3’ acima, eu tenho dúvida de quanto deste crescimento (menor) do estoque de crédito para PF é, de fato, de novos entrantes no mercado e de novas operações. Acho que boa parte deste crescimento no mês deve-se a dívidas antigas que ao serem roladas ficam maiores e também inflam volumes. E isto não é nada bom.

Um comentário para as “taxas médias”: a dispersão destas é absurda, i.e. tem gente pagando pouco (i.e. via consignado, leasing) e outros pagando taxas insustentáveis. É o velho problema da ausência de educação financeira. É óbvio que é ruim que a taxa média esteja subindo, mas o problema mesmo está na ponta de alta da curva, que paga 100%, 200% a.a., dependendo da Financeira ou da modalidade do crédito.

Solução: assim como o cidadão troca de produto (e.g. come menos carne bovina e mais frango) e/ou de marca quando os preços sobem, com o crédito é a mesma coisa. Tem que parar de “comprar crédito” e/ou trocar de banco e negociar melhor: só assim que a taxa cairá para este cliente.

A PJ está tomando dinheiro a todo vapor. A maior parte é para capital de giro, porque o consumo está forte e os investimentos em máquinas novas e ampliação de negócios também está aquecido. Se-e-quando a desaceleração econômica vier, as PJ com dívidas mal estruturadas sofrerão. Mas se a desaceleração for fraca e curta, elas ficarão muito bem – na média – porque estarão prontas para um ciclo de crescimento sustentavel.

UOL – “Julho registra a maior taxa de juros do cheque especial em cinco anos”

Terra – “Crédito bate recorde e fica em 37% do PIB

IG -“Febraban diz que moderação do consumo seria “desejável” até 2010″

Estadão (on line e jornal) – “Crédito avança, mesmo com juro alto”

Valor – “Crédito bancário em forte expansão”

Gazeta Mercantil – “Operação de crédito cresce há 20 meses, apesar do juro alto

Abs, Fernando