O artigo abaixo saiu na Reuters. A indústria brasileira vem dando provas de grande maturidade, na minha opinião.

O pessoal acreditou no chamado do governo, quando Lula, Mantega e outros pregaram que os empresários precisavam investir porque o país iria crescer e que a estabilidade veio para ficar, etc. Além disso, os juros caíam na medida que a oferta de crédito subia para o segmento empresarial – e este crédito, que vem impulsionando o crescimento econômico, também foi visto como “veio para ficar”. Tudo isso contaminado, no bom sentido, pelo Investment Grade e pelo grande fluxo de capital (especulativo e para investimento) que adentrou o país.

Nem o câmbio ruim, a alta carga de impostos e os juros altos (apesar de menos altos…), são capazes de quebrar o otimismo do empresariado brasileiro.

Os números da indústria são ótimos, mas ficam ainda melhores quando sabemos que a indústria de bens de capital – ao invés da de bens de consumo – é a que está mais crescendo e empregando. Isto significa que o país está se preparando para um futuro ciclo de crescimento do produto, estando apto a garantir uma oferta adequada para reduzir o risco de inflação de demanda.

Tais investimentos, porém, são realizados em grande monta graças a empréstimos bancários. Quem tomou linhas de longo-prazo sobreviverá se um ciclo de baixa na economia de fato se instalar no país. Quem aceitou financiar ativos imobilizados com linhas para capital de giro dificilmente agüentará vendas fracas – ou abaixo daquelas planejadas quando se endividou.

O apetite de crédito dos grandes, médios e pequenos bancos para empresas (de todos os portes) continua agressivo, o que é muito bom. O país precisa de empresas fortes e modernas. E o crédito bem captado é fundamental para isso. Isso naturalmente se alterará, para pior, se o cenário econômico piorar muito e, por tabela, a inadimplência subir também.

Fica o conselho para que se preste atenção no cenário externo, repleto de nuvens pretas, e que gerenciem bem seus passivos, bancários especialmente, e que se procure sempre alongá-los, mesmo que o custo possa ser um pouco mais  salgado.

http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRN0319770420080903

Poucas coisas são tão tristes como ver empresários (e seus empregados) sendo vítimas de seu sucesso ou de sua mais honesta credulidade.

Abraços, F.