Prezados,

Está na IstoÉ Dinheiro desta semana, na sessão Dinheiro em Ação (pag. 109):

  1. O que NÃO é novidade: a Magazine Luiza (3a maior rede de eletro-eletrônicos do país) vai invadir a Grande Santos e o Planalto Paulista (sorry, coisa de Santista bairrista…). Será uma entrada triunfal e massiva (e arriscada) com nada de menos que 50 lojas, de uma vez!
  2. O que a revista TRAZ como novidade: “depois de abrirmos as 50 lojas em São Paulo, vamos avaliar como iremos nos capitalizar”, diz a carismática CEO (e líder de fato!) Luiza Helena Trajano.
  3. O que EU comento sobre isso:
  • A família Trajano é boa no que faz. A Luiza Helena, que é sobrinha dos fundadores e principais acionistas da empresa, é uma líder varejista nata, daquelas que encantam os funcionários (lá eles não “vestem a camisa”, mas “tatuam-se” por amor à empresa). Eu os conheci por volta de 2004, quando visitei a empresa e tive a honra de almoçar com a família em sua simpática e nada suntuosa chácara. Lembro-me que naquela época Luiza Helena dava seus primeiros passos como celebridade (termo elogioso) corporativa, arrebatando empresários com seu jeitão pseudo-simplório, mas que é pura sabedoria popular isso sim! Lembro-me da sua tia dando-lhe conselhos: “Vê lá se não vai ficar dando muita palestra por aí, deixando os negócios de lado, hein minha filha”. Um show de verdadeiro management familiar de sucesso!
  • Mas entrar assim, de uma vez, no mercado mais concorrido do país, competitindo com gigantes já estabelecidos como Casas da Bahia e Ponto Frio, é coisa para titã. Detalhe: estimo que eles pretendem arrancar 30% do seu faturamento anual a partir deste projeto Paulistano-Santista. O impacto no capital de giro será, portanto, imenso. Sem falar no capital fixo investido para a abertura das lojas. Que tal uns R$ 400 milhões para começar?
  • Se existe uma coisa que Luiza Helena e sua família não deixaram “para depois” é o planejamento do funding desta mega operação! Deve estar tudo bem arranjadinho!! OK, seria uma sandice não fazê-lo.

O que é bem provável que já tenham engatilhado:

  1. Acordos com fornecedores, que garantam belos prazos de financiamento das novas compras.
  2. Algum (ou alguns) banco de investimentos de primeira linha já deve estar mandatado para fazer o IPO da empresa logo que o mercado se estabilize. Detalhe: este banco (ou bancos) já teria adiantado (via empréstimo-ponte) um imenso volume de recursos para garantir o mandato do (muito rentável) IPO. Prazo longo e custo baixo devem ter sido bem negociados pela Magazine Luiza.
  3. Linhas do BNDES para o investimento fixo, de prazo considerável, também devem compôr a equação financeira.
  4. Fundos de Private Equity devem ter interesse de entrar na empresa. Quem sabe não há alguma negociação já alinhavada/fechada…

Um último comentário, com jeito de conselho de amigo, é o seguinte: é fundamental que a área Financeira da empresa esteja 100% alinhada com as áreas Comercial e de Compras, pois vendas maiores, quase sempre, pressionam o capital de giro. E o bom executivo financeiro irá alertar seus acionistas e preparar seus bancos parceiros para a maior demanda por linhas de crédito. Do contrário, a empresa corre o risco de ser vítima do seu próprio sucesso de vendas. Cansei de ver isto na vida!

A família Trajano, lá de Franca, não cairia nessa, creio eu. Não caia você também!

Abraços, FB

PS: abaixo, um link interessante sobre este projeto.

http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0925/gestaoepessoas/m0166387.html