Este tema nos parece pouco usual no dia-a-dia das nossas vidas, mas há um alto potencial de ocorrência, principalmente para pessoas jurídicas.

O risco de contraparte, até como o nome sugere, envolve duas partes (ou mais). Porém, para surpresa de muitos, não envolve risco de crédito. Crédito é quando alguém adianta recursos, bens ou serviços para outra parte e esta não paga o valor devido na data do vencimento. Há uma perda potencial de 100% do valor em risco.

No caso do risco de contraparte a perda potencial é, em 99,9% das vezes, apenas parcial e depende da variação de preço do ativo negociado. Vamos aos exemplos:

1. O empresário contrata um corretor de imóveis para vender um galpão. O preço de mercado era de R$ 1 milhão. Por incompetência do corretor, várias propostas de negócios foram perdidas, porque o e-mail deste não funcionou durante a semana. Quando o problema foi descoberto, coincidentemente ocorre o lançamento de dois empreendimentos similares, na mesma região, derrubando o valor do tal galpão para R$ 800 mil. Esta perda de R$ 200 mil foi gerado pela contraparte e pode ocorrer numa infinidade de situações cotidianas.

2. Uma empresa importa uma máquina por US$ 1 milhão. Como ela não tem um centavo de vendas em USD, a empresa tem um descasamento cambial, i.e. tem receitas em reais e uma dívida em dolar, ficando exposta a perdas caso nossa moeda se desvalorize. Para minimizar este risco, ela fecha um derivativo com um banco (pode ser um contrato futuro na BMF, um opção, um swap, etc.). Ocorre que o trader lá na mesa de operações, muito mais preocupado com mega transações acima dos USD 100 milhões, acaba por esquecer de fechar a operação do nosso empresário. Quando se deu conta, no dia seguinte, o dolar tinha se valorizado contra o real em 2%. Moral da estória, nosso empresário pagou 2% a mais por conta da falha da contraparte.

Da mesma forma, há uma infinidade de operações financeiras que geram este tipo de risco. Todos devem estimar o risco potencial, determinar limites máximos por exposição com as contrapartes e controlar o risco ao longo da vida da operação.

Os bancos americanos de investimentos e toda a comunidade financeira internacional correm gigantescos riscos de contraparte uns com os outros. O mercado acredita que o Bear Sterns seria o banco que mais devia dinheiro para seus contrapartes – por conta de derivativos com papéis hipotecários – e seria por isso que o governo americano tanto fez que ajudou que fosse absorvido. Similar história ocorre agora com o Lehman Brother. A negociação está bem mais difícil.

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