Moçada,

Esta crise está uma loucura mansa! As mídias eletrônicas estão consumindo todos os bits disponíveis, na ânsia de publicar o último furo – enquanto o buraco aumenta para investidores e instituições financeiras. Os jornais dobraram as página de economia, pois sobrou notícia. Os blogueiros estão na mesma: o que não falta é assunto para comentar e meter o pau nos “hipócritas neoliberais” – seria engraçado se não fosse triste – um dia ainda tomo coragem e aprofundarei certas visões que tenho sobre partes da blogosfera.

E haja bobagem sendo publicada!

Algumas visões:

  1. O mundo não vai acabar, mas vai se machucar muito. Alguns bancos começam a informar as suas perdas potenciais com a Lehman Brothers: ING e Natixis falam de EUR 100 milhões cada  um (só com o Lehman!). Isto é só um petisco perto do banquete dos horrores.
  2. Os bancos centrais estão despejando centenas de bilhões de dólares para segurar a liquidez dos mercados financeiros. Traduzindo: bancos (americanos, japoneses e  europeus) que não estão zerando o caixa. Coisa séria.
  3. Os jornais americanos aplaudem o FED por não terem segurado o Lehman. Ok. Agora já tem gente dizendo “tá vendo, o sistema é sólido!”. Merecem cadeia, pois são os mesmos que volta e meia dizem “o pior da crise já passou”.
  4. China: não entendi direito a redução dos juros na China. Será que o consumo interno não está tão forte quanto alguns diziam? Uma coisa é fato, as exportações vão sofrer com a recessão internacional.
  5. O Brasil está bem demais (considerando-se a desgraça alheia): graças a esta inesperada deflação e graças a já sabida solidez do nosso sistema financeiro.
  6. Mas os juros estão subindo por aqui e já está machucando mais gente. Voltarei ao tema.
  7. A bolsa derrete, pois o investidor estrangeiro faz o chamado “flight to quality” (de volta ao lar e aos títulos americanos) – não há que se possa fazer; bolsa é risco e tudo mundo já devia sabe disso (eu estou apanhando em Vale e não estou nem aí: é investimento para daqui a 20 anos. Voltarei ao tema.
  8. O nosso câmbio sofre com a saída do capital estrangeiro. Quem tem dívida em dólar, sem hedge, que fique esperto. Com a balança de pagamento mais apertada, o dólar tende a subir mesmo.

No médio-prazo (6 meses?), acho que o Brasil sai pouco machucado da crise e tem tudo para ser um receptor de investimento estrangeiro. Só espero que seja “dinheiro bom” e não este “volátil”, que entra e sai, bagunçando com os preços dos ativos.

Mas até lá – até o fim da crise – você e sua empresa podem quebrar (ou perder muito valor), então não fique nesta de que o “Brasil está bem”. Genericamente o país está bem; na média o país está bem. Mas tem os players que estão estão mega-sólidos e tem os que estão mega-frágeis. Em que ponta você está? É isto que interessa.

Saudações, Fernando