Presidente da Febraban diz que cena da liquidez no Brasil é tranqüila

SÃO PAULO – O agravamento da crise financeira global nos últimos dias e as incertezas associadas a ela não trouxeram ainda impactos para o setor bancário nacional, que é “supersólido”. A afirmação foi feita hoje pelo presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e também presidente do Banco Real, Fábio Barbosa, para quem o cenário é “muito tranqüilo em relação à liquidez”.

No entanto, mesmo não havendo problemas de liquidez, Barbosa diz haver uma tendência de encurtamento de prazos de financiamento.

Ele destaca que empréstimos mais longos, como o consignado e o para compra de veículos, continuam acontecendo normalmente. Ainda assim, em função da crise externa, “existe uma tendência de encurtamento de prazos”. Segundo ele, devido aos acontecimentos recentes, como a quebra de bancos americanos, é natural que as instituições não façam operações de cinco anos do mesmo jeito que faziam até então. “Existe tendência, mas hoje não dá para dizer que tenha uma redução de prazo significativa que tenha impacto na economia”, ressalva o executivo.

Os empréstimos mais afetados pelo encurtamento de prazo, segundo ele, são aqueles de dependem de “funding “internacional, como operações de empresas exportadoras de longo prazo. O banqueiro lembra no entanto, que o Brasil depende pouco de recursos externos e que o “funding “no Brasil deriva prioritariamente de operações locais.

Segundo Barbosa, o reflexo mais imediato e óbvio da crise externa para o Brasil está focado no setor acionário, onde agentes internacionais encerram posições para fazer frente a prejuízos externos, que estão se ampliando nos últimos tempos. “Não há nenhum questionamento sobre o andamento (do sistema bancário) por aqui.” A título de comparação, Barbosa acha importante lembrar que a crise foi desencadeada pelo setor imobiliário, que representa 70% do volume de crédito nos Estados Unidos e equivale a apenas 2,5% no Brasil. Além disso, ele cita que as reservas internacionais brasileiras, acima de US$ 200 bilhões são uma cobertura importante para o país.