E viva (?) o Capitalismo Financeiro Acelerado: das 19:00, quando iniciei um jantar de trabalho, até agora, quando começo a escrever (23 horas), o mundo mudou radicalmente – para menos pior,pelo menos!

Vamos aos fatos:

1. Brasil:

Conforme previsto ontem, a bolsa deu uma subidinha – a lógica é simples: ontem caiu demais, na base do medo e da especulação pesada. Mas o vai-e-vem continuará até que o investidor estrangeiro decida se fica ou se vai. Não é jogo para amadores e bem intencionados.

Soube que o mercado de crédito hoje, pela manhã, esteve paralizado, sem preço. Que coisa!

2. Wall Street

Salvo alguma reviravolta de última hora, salvaram-se AIG e Lehman Brothers (este apenas parcialmente). Os resgates foram feitos q a extrema-unção de ambos. A AIG foi literalmente federalizada pelo Tesouro americano e o Barclays, do Reino Unido, comprou os ativos americanos da Lehman. Ver abaixo:

http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601087&sid=aAkvusf5Ld7M&refer=home

Motivos: as diversas entidades do governo americano que se envolveram na salvação da AIG chegaram à conclusão de que esta seguradora não poderia quebrar, sobre pena de gerar um efeito dominó. É que a AIG segurava uma quantia enorme de CDS’s, que são os derivativos de crédito que garantem os péssimos empréstimos hipotecários subprime. Se ela quebrasse e, portanto, não honrasse tais apólices, a quebradeira em Wall Street continuaria e, por tabela, no resto dos EUA.

http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601087&sid=aLsMT_psdKqk&refer=home

Motivos: diferentemente do caso AIG, o governo americano achou que custava menos politicamente deixar o Lehman quebrar, do que colocar dinheiro do “tax payer”, como eles dizem. Aí, o Barclays que, como todo grande banco europeu, sempre teve dor-de-cotovelo por não ter presença forte em Wall Street, negociou até a hora que o oficial de justiça chegava para lacrar o banco…e comprou-o por um valor “simbólico” de pouco mais de USD 1,5 bilhão.

Acho que agora evitou-se o Armagedon. Porém, ainda na simbologia bíblica, reiteiro que apenas o Armagedon foi evitado, por que as pragas do Egito ainda estão estão por vir, i.e. crédito apertado, recessão, menor fluxo de capitais, comércio internacional enfraquecido, etc.

E isto vai chegar no Brasil, de forma menos agressiva do que no passado, mas vai atingir, como sempre, empresas e pessoas mais fragilizados por conta de dívidas mal estruturadas.Prazo: entre 6 e 12 meses.

Meu abraço, Fernando