O link abaixo aborda a possível fusão entre o venerado banco de investimentos Morgan Stanley com o banco comercial Wachovia.

http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601087&sid=aq7MVYNcRHKY&refer=home

Nos últimos dias tivemos o Lehman Brothers sendo absorvido (parcialmente) pelo Barclays, do Reino Unido, o Bear Sterns pelo J.P.Morgan Chase e, finalmente, a Merril Lynch pelo Bank of America.

O fato destes bancos de investimento puro-sangue estaren sendo absorvidos por bancos comerciais e por outros com perfil mais híbrido, como é o caso do P.J.Morgan Chase, é a maior garantia que a sociedade internacional pode ter de que o Capitalismo Financeiro Acelerado ficará, digamos, mais lento.

O mundo financeiro, que sairá muitíssimo machucado deste episódio subprime, sofrerá com novas regulamentações oficiais, que restringirão sua margem de manobra. Porém, a mudança mais importante que eu enxergo é a mudança cultural que se aproxima.

Bancos como Barclays, Bank of America, Wachovia, entre outros, são muito mais conservadores – ou menos atrevidos – do que os recém-quebrados puro-sangue de Wall Street. Os bancões comerciais sempre se incomodaram pelo fato de não dominarem o know-how de estruturar negócios mais sofisticados (em investment banking e capital markets) e saber como distribuí-los para investidores – e seus Private Banks também não têm o mesmo prestígio. Suas áreas de pesquisa (equity & economic research) sempre foram apagadas pelas dos seus “primos ricos” de Wall Street. Suas mesas de trading de bonds e outros ativos nunca tiveram a mesma agressividade. Os pacotes de remuneração então, sempre foram incomparáveis!

Bem, chegou a hora da virada: os bancões comerciais estão absorvendo Merril, Bear, Lehman, etc., em condições jamais sonhadas. Por outro lado, os adquiridos estão com a moral e a auto-estima lá embaixo! Como transformar estas figuras derrotadas e humilhadas nos campeões que outrora foram, será uma tarefa para os deuses.

Além do dramático aspecto psicológico, os bancos comerciais compradores terão os seguintes desafios:

  1. Cultural: são animais diferentes, com estilos e comportamento diferentes. Investment Bankers costumam ter pouca, digamos, admiração e respeito pelos seus pares comerciais. Fazer estas duas faunas conviverem em paz e de forma cooperativa será outro desafio para os deuses.
  2. Pecuniário: os Investment Bankers sempre ganharam muito mais, mas muito mesmo, do que seus pares comerciais. Não há duvída que tal (gigantesca) remuneração sempre foi diretamente correlacionada com o enorme nível de risco que corriam e com a rentabilidade que geravam. Os bancos comerciais não tolerarão tais níveis de risco e, portanto, não pagarão mais as fortunas antes percebidas pelos executivos dos finados bancos de Wall Street. Como retê-los e motivá-los? Mais uma missão para os deuses.
  3. Gerencial: acostumados a gerenciar operações menos complexas, os novos donos terão que se equipar para tomar a frente da gestão dos seus novos bancos. E isso é bem menos simples do que possa parecer: a começar por que estamos lidando com gente – e é gente com ego grande. Investimentos em sistemas, back-office, controle financeiro e gestão de riscos estão entre os principais desafios que só serão superados com a ajuda dos deuses.

Concluindo, acho que o Olimpo das Finanças terá que contratar head-hunters urgentemente, pois a demanda por novos deuses é grande. Haverá trabalho de sobra e no curtíssimo prazo.

E voltando ao início do post, sim, o mundo das finanças globais irá desacelerar – na marra! Da mesma forma, diminuirá a volatilidade e a criação de bolhas especulativas. Deus me ouça…

Fernando