Não.

Explico:

1. Segundo cálculos do FMI, nos últimos 30 anos, as crises bancárias nacionais custaram aos seus países a bagatela de 16% do PIB. Em se tratando apenas de termos econômicos é uma enormidade.

2. Porém, imaginem o transtorno que isto gera em termos práticos, no dia-a-dia do cidadão. Contas bloqueadas; investimentos congelados; ninguém paga e ninguém recebe de ninguém. Caos!

No entanto, a blogosfera – daqui e dos EUA também – está recheada de ataques ao plano que está sendo estruturado nos EUA, para salvação da banca americana. As críticas daqui chegam a ser pueris, com velhos chavões contra o capitalismo, anti-americanismo, abaixo os especuladores, a hipocrisia neoliberal, etc. Em outras palavras, há pouquíssimo comprometimento com uma discussão de alto nível que independa da visão de mundo de cada um.

Bom, gostem ou não – agora falando da blogosfera americana, até porque isto não é problema nosso – o provável custo desta crise sem precedentes será da ordem de USD 500 a 800 bilhões. Isto representa algo como 4% do PIB americano. E, sim, sairá dos caixa do Tesouro, que é devidamente abastecido com o dinheiro do contribuinte.

Numa conta rápida, já calcularam que o custo para resgatar os bancos custará apenas 25% do que custaria deixá-los afundar. E para este fato, que afeta o bolso de todos os americanos, a blogosfera Made in USA ainda não acordou.

Concluo repetindo o que digo como um mantra: deixar o mercado assumir este nível de risco foi irresponsabilidade crônica e generalizada. E acho que os responsáveis devem ser punidos exemplarmente. Agora, o ódio ao capitalismo e aos seus banqueiros/especuladores não justifica fazer um mal negócio para o próprio bolso. Se fosse vivo, Karl Marx estaria bradando em praça pública “contra o nefasto capitalismo financeiro”, mas, em private, certamente pegaria o seu celular Nokia último tipo e faria algumas ligações para líderes do governo e hipotecaria o seu apoio…

Abraços e bom final de semana! F.