Caros,

O final de semana foi marcado (a fogo) pela busca frenética por respostas às muitas dúvidas que surgem – todas com profunda relevância. O texto do plano, que foi enviado ao Congresso americano é assustadoramente vago, no entanto. Por outro lado, isto pode ser considerado natural, afinal, a complexidade da solução é diretamente proporcional ao tamanho da crise.

Outro ponto de extrema relevância diz respeito aos Super Poderes que o Secretário do Tesouro, Henri Paulson, pede para si para salvar a banca americana. Abaixo o texto, conforme publicado no NYT:

http://www.nytimes.com/2008/09/21/business/21draftcnd.html?_r=1&oref=slogin

Quanto às dúvidas sobre o Plano, abaixo eu listo aquelas que informei a um jornalista da Agência Dow Jones Newswire, na última 6af:

1.      De onde sairão os recursos que salvarão tais bancos: “dinheiro público para ajudar especuladores privados”. Na blogosfera brasileira só se fala isso, porque já tivemos o nosso PROER, nos anos 90, e a crítica era a mesma.
2.      Que tipos de instrumentos serão utilizados, i.e. compra dos títulos, REPO, financiamentos, etc.?
3.      Os bancos ajudados terão que fazer “write-off” dos títulos, lançando-os a prejuízo? Se for assim, terão seu capital reduzido drasticamente! Se a decisão for por uma compra com valor de mercado, i.e. quase zero, os bancos irão de fato quebrar por falta de capital. Até ontem [nota do editor: 5af] eles quebrariam por falta de liquidez. Um REPO, ou repurchase agreement, pode ser uma boa idéia, pois a compra poderia se dar pelo valor de face, i.e. seria um empréstimo, sort of speaking.
4.      Se houver redução do capital, os bancos terão menos capacidade (regulatória, por força das regras da Basiléia) de emprestar, o que minará ainda mais a já combalida economia americana. Dependendo da queda do capital regulatório (Tier 1), os bancos americanos e vários europeus terão que reduzir ativos, o que reduzirá tambem seus lucros e, principalmente, o poder de compra das famílias. Recessão forte à vista.

5.      Será possível que os investidores (acionistas) destes bancos saiam desta sem uma massiva desvalorização de suas ações? Os acionistas de AIG, Lehman, Merril, etc., todos perderam, mas e agora? Será politicamente insustentável deixá-los sem a devida punição.

6.      Estes benefícios serão estendidos para outras instituições não-bancárias, como hedge funds, que também carregam tais papéis? [nota do editor: hoje, domingo, já foi aventada a possibilidade de que os Money Market funds tenham acesso ao socorro federal]

7.      E os bancos internacionais, que também carregam estes papéis “Made in USA”, também poderão entrar na fila? Exemplo: bancos estrangeiros que perderam dinheiro através de suas subsidiárias americanas. [nota do editor: hoje já circulam informações dando conta que isto poderá ser possível – mas o texto original nega esta oportunidade]

8.      E os bancos americanos que já quebraram por conta da crise, serão ressuscitados?

9.      Um efeito colateral será a inflação, pois a economia será inundada de dinheiro novo, que será emitido para a compra dos títulos.

10.  Inflação pede juros elevados; recuperação econômica pede juros baixos. O impasse, que já existe, continuará! Tem muita gente dizendo que os juros deveriam cair mais, e que o FED perdeu uma boa chance de fazê-lo. Discordo. Juros de 2% a.a. é nada e já estão negativos. Ninguém está deixando de comprar por conta destes jurinhos. O problema é de confiança.

11.  E os executivos destes bancos, serão punidos como o nosso BC fez com os brasileiros quando tivemos o PROER? Esta é outra questão política.
 
 

 

 

Esperei até hoje para publicar estas dúvidas pessoais, porque achava que os Wall Streeters de plantão trariam mais elaborado, poupando-me tempo. Não vieram e meu ego agradece.

Esta noite, deixarei minha bola de cristal processando e amanhã postarei o resultado.

Abraços, FB

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