O ótimo portal da revista Cliente S.A. – http://www.clientesa.com.br/ – traz hoje uma notícia que merece uma análise que vai além do título da matéria. Explico:
  1. O índice de confiança do consumidor, em geral, está em alta – e isto até seria bom, no momento, pois ninguém está precisando de notícias ruins no campo econômico-financeiro.
  2. A pesquisa da Fecomércio mostra que a classe média e alta tem clareza sobre a crise internacional, o que traduziu-se em redução do índice para estas categorias.
  3. O drama: as classes mais baixas; aqueles que compram tudo a prazo, “sem juros”, demonstram um ânimo assustador! E olha que os juros estão em alta no varejo há uns três meses! …mas os prazos de financiamento ainda não caíram pra valer!

O caso é o seguinte: esta pesquisa e este post são a prova cabal de que o endividamento das famílias é altamente correlacionado com baixa educação (lato-senso e financeira).

Como se isso ainda precisasse ser provado…

Boa leitura! F.

Confiança do consumidor em alta [23/9/2008 – 12:44] 
Consumidores de baixa renda elevam avaliações, enquanto classe alta mostra cautela
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), apurado mensalmente pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), apresentou alta de 1,8% em setembro, em relação a agosto, e atingiu 140 pontos. No contraponto ao mesmo período de 2007, o índice apresentou elevação de 5,8% (132,3 pontos).
 
O ICC varia de zero a 200 pontos, indicando pessimismo abaixo de 100 pontos e otimismo acima desse patamar, e é composto por dois indicadores: o Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) e o Índice das Expectativas do Consumidor (IEC). No mês analisado, o ICEA – que registra como o entrevistado percebe a sua situação atual – apresentou retração de 2,7% em relação a agosto (136,8 pontos). A percepção em relação ao futuro, contemplada pelo IEC também teve alta de 4.9% em relação a agosto e atingiu 142,1 pontos.
 
Na análise realizada por faixa de renda, o ICC apurou queda de 1,7% (148 pontos) entre os consumidores com rendimentos superiores a 10 salários mínimos. Em relação ao IEC, em setembro apresentou queda de 3,8% (146,6 pontos) e o ICEA alta de 1,5% (150 pontos). Já os paulistanos na faixa de renda inferior a 10 salários mínimos tiveram alta de 5,7% no ICC (138,1 pontos). O IEC também apresentou alta de 11,5% (141 pontos) e o ICEA variou negativo em 2,4% (133,8 pontos). Todos estes dados são resultados da comparação com o mês anterior.
 
De acordo com a Fecomercio, a pesquisa apurou comportamento divergente, afinal enquanto os consumidores de renda mais baixa elevaram as avaliações, a classe de renda mais alta mostrou cautela. Os consumidores com renda mais baixa – muito mais afetados pela alta dos itens alimentícios – com a notícia da desaceleração dos preços melhoram significativamente as avaliações. Já os consumidores com renda acima de 10 salários mínimos revelaram grande cautela nas as avaliações em relação à situação econômica do Brasil, justificadas pela percepção das incertezas do cenário externo, e, sobretudo das variáveis juros, câmbio e inflação.