Fatos e percepções pessoais:

1. Quem acompanha a saga deste blog sabe que eu sou fã do Roubini. Eu o conheci no dia 21 de janeiro deste ano, num evento global que a Coface – onde trabalho – promoveu em Paris. Ele era o palestrante mais esperado daquele Global Country Risk Seminar.

2. Minha admiração por ele advém do fato de que, como eu, ele acredita que o mundo funciona como um pêndulo, i.e. pegue um e leve bola do pêndulo para um extremo – digamos, 10 cm – e ela despencará até o outro extremo (10 cm também). Se você a deslocar apenas um centímetro para um lado, ela retornará, comportadíssima, para o outro lado, não ultrapassando o mesmo 1 centímetro. Vivemos num planeta que preza o equilíbrio, a simetria, o balanceamento, a ação e a reação. Só alguns agentes (não todos) do mercado e da imprensa têm alguma dificuldade para entender isto.

3. Curiosamente, este blog recebe muitas visitas – via Google, Yahoo! e similares – à procura de informações sobre Nouriel Roubini. Ele é PhD, Professor da New York University (Stern Business School) e chairman da sua empresa de consultoria, pesquisa e informação: a RGE. A única coisa em que discordamos é quanto ao fee que a RGE cobra pela assinatura anual: USD 5 mil. É muito para o meu bolso.

4. Roubini ficou mundialmente conhecido pelo apelido Dr. Doom, algo como Senhor Fim dos Tempos, por conta de haver identificado a bolha do crédito imobiliário e previsto seu estouro há uns 4 anos. Justo naqueles dias, quando Wall Street, City of London, Avenida Paulista, 25 de Março e outros grandes centros financeiros internacioniais bombavam alucinadamente. Foi chamado de louco. Errou o timing, está certo, pois não previa que a cegueira coletiva e a liquidez abundantes, que deram sobrevida à bolha, fossem de tal porte. No entanto, o atraso para o estouro da bolha só fez aumentar o estrondo, i.e. as perdas e a desorganização nos mercados que agora vivemos.

5. Nesta Segunda-Feira, ele foi entrevistado por Jorge Pontual no Jornal das Dez da Globonews. Muito interessante, como de hábito. Não disse nada de novo em relação ao que já escrevi aqui ou daquilo que pode ser encontrado na www. Exemplos relevantes:

  • “Teremos uma tremenda desaceleração econômica nos próximos dois anos”.
  • “Haverá uma tremenda inversão na demanda agregada americana por contra desta crise, do setor privado para o setor público. O consumidor gastará menos, pois terá que pagar mais impostos para sanear as contas do governo que se endividará para sanear os bancos”
  • “Vivemos o início do declínio do Império Americano [título de um paper dele], pois este país aprendeu a conviver com níveis altíssimos de déficits em todos os níveis e, a partir de agora, terá dificuldades para financiar-se”.
  • “O eixo econômico do mundo será mais equilibrado com Brasil, China, Índia tendo um papel mais relevante”.

É sempre bom ouvir um sujeito com esse misto de competência, visão e coragem. Vale destacar que ele nunca se escondeu ou mudou de opinião, quando tantos o fazem, mesmo tendo sido continuamente achincalhado pelos mercados e pelo meio acadêmico.

Dá-lhe Roubini!

Abraços, FB