Vamos aos fatos:

  1. Ninguém sabia detalhe algum do Paulson Plan, a ponto de ter comprado papel na semana passada – e o nível de ignorância é o mesmo, para se ter vendido hoje.
  2. Há quem diga (e são muitos) que o pacote de USD 700 bilhões “talvez não seja suficiente”. É verdade: talvez não seja. Mas talvez seja. Preto ou vermelho?!
  3. Os Democratas começaram a maltratar os Republicanos e o executivo (igualmente Republicano), sugerindo mudanças aqui e ali – conforme post anterior.
  4. A economia financeira e real dos EUA e do mundo todo sofrerá nos próximos 24 meses. Portanto, é natural que haja desconfiança generalizada por parte de investidores quanto ao valor das ações.
  5. Por outro lado, salvo uma falha grave neste plano (o do Paulson), o mundo não acabará e as empresas e suas ações terão valor. Resta saber, agora e mais pra frente, se a quotação atual das ações reflete uma relação adequada ao que delas se espera no futuro. Se tiverem caído demais, subirão rápido. A recíproca é verdadeira. Todo o resto é bobagem.
  6. Refraseando o item 5 acima:

(a) É fundamental entender o cenário futuro de forma concreta – ninguém faz a mínima idéia

(b) É necessário avaliar a perspectiva de performance das empresas à luz deste cenário futuro, por setor de atividade – ninguém pode fazer a mínima idéia

(c) Será necessário avaliar (do inglês valuation) o preço das ações hoje e descobrir em que extensão ele reflete o valor da empresa ao final do citado cenário.

Na minha humilde opinião, só assim poderemos falar de tendência do mercado. Até que se enxergue alguma tendência no horizonte, o negócio é tentar acertar a “asa direita da mosca branca” – e isso é coisa para trader que vive com os olhos pregados nos terminais da Bloomberg e similares (é coisa para profissionais, como os amigos da Seagul – ver no Blogroll). Gente comum, como eu e você, deve ficar fora deste mercado neste momento de incerteza e risco.

Teremos muita volatilidade e por um bom tempo, até que o a-b-c acima seja decifrado. Até lá, barbas de molho e cuidado com as visões dos famosos “analistas” tendenciosos que vivem na mídia pregando o surrado “o pior já passou”.

Abraços, Fernando