Aparentemente, o único avanço visto em Washington hoje foi o fato de Mr. Paulson ter aceitado a brutal interferência do Congresso (através da determinação de um teto) na remuneração dos executivos dos bancos afetados pela crise e que venham a ser ajudados pelo pacote em gestação.

Cá entre nós, nada mais justo, pois a maioria deveria ser demitida e os que ficassem deveriam levar bonus zero. De qualquer forma, isto me parece inconstitucional e como nos EUA todo-mundo-processa-todo-mundo-por-qualquer-coisa, acho que esta “limitação” não será implantada. Acho mais fácil faze-la acontecer via autoregulação, i.e. que os próprios controladores e executivos se reunam e acertem algum tipo de acordo. Paulson é ex-banqueiro dos bons (foi CEO da Goldman Sachs) e sabe da dificuldade de implementar uma coisa destas. Já o Congresso, quer mostrar e fazer valer sua indignação com relação a gestão temerária que foi praticada, punindo os gestores.

Acho que estão “jogando pra torcida”.

Os mercados passaram o dia:

  1. Se divertindo vendo o Paul & Ben apanhando
  2. Enfadonhos ouvindo Ben Bernanke dizer que “a economia sofrerá uma tremenda recessão se o pacote não for aprovado…” – samba de uma nota só!
  3. Especulando e achando motivo para que “o plano talvez não seja aprovado”
  4. Derrubando os preços dos ativos

Nada de novo, nem nada para se assustar demais. E não adianta se angustiar demais também. A crise é muito séria e não há nenhum motivo racional para os ativos se valorizarem. Vão andar de lado, com pequenas baixas e pequenas altas – com viés de baixa, talvez.

Neste momento, ninguém consegue enxergar de cima, avaliar se trata-se de uma floresta ou de um bosque; ficam todos analisando árvore por árvore e tentando acertar “no chute”. E a dupla P&B ainda fica dizendo que as árvores arderão em chamas se o pacotão não for aprovado…aí é que cai tudo mesmo!

Por aqui, tudo meio sem graça também, mas em queda. Porém, dois cenários começam a se formar no horizonte e ME ASSUSTAM:

  1. O crédito doméstico está mais caro e seletivo – o que este blog previa por conta de “ajuste” macroeconômico (inflação, desaceleração) está vindo a galope por conta da crise americana. NÃO É CRISE SISTÊMICA, MAS OS NEO-ENDIVIDADOS E OS MAL-ENDIVIDADOS SOFRERÃO ANTES DA HORA, COM MENOR TEMPO DE REAÇÃO.
  2. A deterioração das contas externas, por conta da saída de investidores “ciganos” (como escreveu o Dr. Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES – chorei de rir!) e pela menor propensão à entrada de capital “saudável” (termo meu).

Agora eu vou-me para a Globo. Momento Valisère: “a primeira entrevista na Globo a gente nunca esquece”.

Saudações,

Fernando

PS: escreverei mais depois da entrevista – eu sei que estou em débito com os leitores.