Quando o governo de um determinado país, ou uma empresa ou banco de qualquer país, emite um título de dívida internacional (e.g. um eurobond, um Floating Rate Note, ou FRN, etc.), é comum analisar-se quantos pontos-base (i.e. o percentual) esse título irá render acima do equivalente ao título risk-free, emitido pelo Tesouro pelo país da moeda em questão.

Exemplos: se uma empresa brasileira emite um bond de 3 anos, no valor de USD 100 milhões, o título equivalente será um T-Bill americano com vencimento para daqui a 3 anos – sim, americano, pois o título é em dólar. Se a empresa emitisse um outro título, também de 3 anos, no valor 1 bilhão de Yens, este deveria ser comparado com o equivalente do Tesouro japonês.

Complicado? Explico:

  1. Digamos que uma empresa brasileira lance um eurobond de 5 anos, no valor de USD 100 milhões, pagando 5% a.a. (ou 500 pontos-base).
  2. Como a emissão é em USD, temos que compará-lo com o título do Tesouro americano.
  3. Digamos que o título do Tesouro americano, com vencimento para daqui a 5 anos, esteja pagando 2,5% a.a. (ou 250 ponto-base).
  4. A diferença entre os dois yields é de 2,50%, ou 250 pontos base (também conhecido pelo seu equivalente em inglês “basis points”).
  5. Quanto mais alta a diferença, maior o risco do emissor e de seu país (em especial quando o emissor é a própria República).

A mídia costuma informar, diariamente, que o risco Brasil flutua entre 200 e 300 pontos-base (e já andou acima de 2.000). Será que somos, atualmente, tão mais arriscados que os EUA?

Apesar dos EUA ser um país sem risco quando a emissão é em dólar, o seu risco deteriora-se diariamente. É o país mais endividado do mundo – de longe -, tem um gigantesco déficit comercial com o resto do mundo, o governo tem um enorme déficit fiscal também, sua população deve mais que o seu salário mensal para bancos e cartões de crédito, seus bancos…bem, acho que não precisamos gastar tempo com estes.

Hoje, os EUA só não quebram de vez, formalmente, como quebraram, nos anos 80 e 90, México, Brasil, Argentina, Rússia e metade da Ásia porque ainda tem a máquina de imprimir a moeda que é utilizada como referência para transações comerciais (e.g. para todas as commodities) e como reserva cambial da maioria das nações.

Podemos dizer que o Estado americano estaria com o cheque especial estourado na praça. E se, por exemplo, a China optasse por trocar o destino de suas reservas de dólar para euro?  Já pensou?

Abraços, F.