O post abaixo, divertido, escrito por Alvaro Gribel para o blog da Miriam Leitão, dá uma boa visão de como a crise nos atingiu. O final é “insosso”, pois o fato é que o CONSUMO TEM TUDO PARA SE RETRAIR PRA VALER JÁ, POIS A POPULAÇÃO JÁ ESTÁ COM O CRÉDITO BASTANTE LIMITADO. E AS EMPRESAS TAMBÉM.

Ontem, um amigo me pediu ajuda. O seu grande cliente parou de antecipar os pagamentos que tinha para com a sua empresa – era o clássico caso de alto risco, pois tem o faturamento concentrado em um cliente só, sendo que este também faz as vezes de ‘banco’, pois antecipa os próprios pagamentos (cobrando juros “módicos”). Como a maioria dos clientes deste meu amigo são grandes e só fazem “crédito em conta”, i.e. ele também não tem recebíveis para descontar e as factorings/bancos não querem lhe dar crédito também. E agora? A vida está complicada!

As sugestões que eu lhe dei são:

  1. Procure todas as factorings do mercado, pois alguma gostará do fato de que ele é fornecedor destes mega varejistas há dez anos.
  2. Arrume logo um sócio capitalista, pois ele vive sem capital desde que eu o conheço (8 anos).

Este blog vem alertando há tempos que quem precisa de crédito precisa se antecipar. O caso deste jornalista é apenas prosaico, pois trata-se de instrumento musical (que não é um bem tão caro e que pode ser pago à vista), mas e para quem vendeu um imóvel e está negociando a compra de outro? E o empresário que tem que atender suas encomendas contratuais e não tem capital de giro? Não há nada de prosaico nisso.

Voltarei ao tema. Abs, F.

Enviado por Alvaro Gribel –

30.9.2008|             9h56m

Aí já é demais…

A crise chegando ao mundo real

 

Além de jornalista, também sou músico. E ontem, havia acertado por telefone a compra de um instrumento novo, financiado. Como houve o caos nas bolsas, não consegui sair da redação a tempo de pegar a loja aberta.

Pois eis que agora pela manhã recebo um email do vendedor dizendo que a compra não poderá ser efetivada porque a financeira com a qual a loja trabalha congelou todas as operações por causa da crise de crédito.

Pode-se dizer que a crise chegou ao limite. Que os mercados desabem, mas que a minha música pare, aí já é demais.

Aqui no blog, a análise continua. Se mais e mais consumidores estiverem tendo esse mesmo tipo de problema de financiamento, isso significa que crise vai bater mais rapidamente na economia real.

O consumo (não só de instrumentos musicais) está crescendo em parte pelo aumento da renda e em parte pela expansão do crédito. Se o crédito for afetado tão drasticamente quanto o vendedor me informou, o consumo como um todo cairá mais rápido do que o imaginado.

 

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