outubro 2008


“Os bancos irão emprestar ou entesourar os recursos do Tesouro?” – será uma frase de efeito para a mídia, vinda do Ministro Mantega… ou terá mais o estilo do Paulo Skaf, da FIESP…?

Que nada! Essa é a manchete desta matéria da Business Week!!!! E é sobre o crédito nos EUA!!

http://www.businessweek.com/magazine/content/08_45/b4107026056954.htm

No entanto, a coisa ficou preta mesmo é na França. Eu já disse antes que francês não gosta do “financismo” que tomou conta do capitalismo global. Mas eu não fazia idéia que o Presidente Sarkozy estava tão furioso com o sistema financeiro do seu país.

Olhem a manchete de hoje do importante jornal francês Le Monde: “Os bancos franceses sob a ameaça de uma nacionalização parcial”.

http://www.lemonde.fr/economie/article/2008/10/31/les-banques-francaises-sous-la-menace-d-une-nationalisation-partielle_1113161_3234.html#ens_id=1099210

A matéria acima (em francês) traz os seguintes comentários do Presidente Sarkozy, todos fortíssimos:

  1. Eu chamo os bancos às suas responsabilidades. Por conta das condições muito excepcionais que estamos atravessando, as empresas, especialmente as menores, mais do que nunca precisam de previsibilidade e estabilidade nas suas finanças bancárias. Eu vos demando, portanto que, salvo exceções incontestáveis, não renegociem os termos e condições dos negócios atuais”.
  2. Sarkozy criou uma função pública chamada Mediador de Crédito e, sem qualquer cerimônia, sugeriu que este vá à mídia e que diga na televisão “…os exemplos de restrições inaceitáveis de crédito em cada região da França. Todos compararão aqueles [bancos] que fazem o seu trabalho e aqueles que não o fazem”.

Já um assessor muito próximo de Nicolas Sarkozy teria declarado ao jornal: “O Presidente foi muito claro: se os bancos não jogarem o jogo, ele utilizará a bomba atômica”.

O meu mantra é o seguinte:

  1. A crise global de crédito começou porque os bancos americanos perderam muito dinheiro por conta de créditos de péssima qualidade, ficando insolventes. 
  2. A falta de liquidez do sistema, portanto, lançou o mundo às portas da recessão.
  3. Em seguida, a liquidez dos bancos foi parcialmente restaurada por conta das linhas de redesconto e de liquidez dos BC’s e da capitalização realizada pelos Tesouros nacionais.
  4. Mas aí os bancos reduziram seu apetite de crédito e aumentaram seus spreads porque: (a) Haviam perdido confiança decisorial (por conta de suas próprias perdas de crédito) (b) Perderam a confiança na solidez da economia real.

É o que chamo de processo de RETROALIMENTAÇÃO DA CRISE DE CONFIANÇA.

No Brasil, lamentavelmente, também encontramos uma situação de parcial restrição ao crédito, ainda que com tipologia diferente. A conjuntura econômica (interna) e a estrutura do sistema financeiro aqui são incomparavelmente melhores do que nos EUA e Europa e não deveríamos estar passando por isso. Nosso país não convive com nenhuma “bolha” sistemicamente séria (como nos EUA), nem nossas famílias e empresas decidiram “fechar para balanço” e ‘produzir’ uma recessão como fizeram na Europa ocidental.

No Brasil a complicação começou com a restrição das linhas externas (20% do funding total, segundo alguns), mas essa situação evoluiu rapidamente para a aversão ao risco e aumento do custo de crédito, por conta das seguintes incertezas (na ótica dos bancos):

  • Capacidade de refinanciamento de dívidas das empresas e famílias.
  • Viabilidade de exportadores por conta do novo patamar do câmbio.
  • Eventuais ‘esqueletos’ nos balanços das empresas gerados pelas operações com derivativos.

O governo brasileiro vem tomando decisões de apoio ao sistema quase que diariamente, mas estarão elas sendo suficientes? Nos EUA, o FED passou a financiar empresas diariamente. Sarkozy faz ameaças explícitas, em público, de nacionalizar o sistema financeiro. Se a irrigação do crédito não evoluir a contento, podemos contar com uma das duas opções:

  1. Uma brutal desaceleração, com efeito equivalente a uma bela recessão.
  2. Uma ação governamental forte – não me arrisco, porém, a especular sobre o perfil desta…

Comentários, críticas e sugestões são muito bem-vindos.

Abraços,

Fernando

Este post é para quem tem interesse na gestão da política monetária dos EUA via FED e como ela poderá ajudar aquele país (e o resto do planeta) a sair da recessão em que embarcou (embarcamos).

O link abaixo, da conceituada Market Watch, escrito pelo editor David Callaway, vai ao ponto ao comentar a queda nos juros promovidos pelo FED (agora é 1% a.a.).

Vocês sabem que, até bem pouco tempo, o Japão passou uns 10 anos crescendo entre 0 e 0,5% a.a.? E que nesse período o Bank of Japan (o BC deles) trabalhou com taxas de juros nominais ao redor de zero, i.e. juros reais bem negativos?

Em outras palavras, não adiantou nada!! O problema do Japão era um e o dos EUA (e da Europa) é outro. Até porque a economia global está muito diferente hoje em dia (bem pior). Na minha opinião, um país com taxas de juros tão baixas só não cresce por dois motivos:

  1. A taxa de juros é baixa, mas os bancos não querem emprestar para os clientes porque temem não serem repagos.
  2. A população teme pelo emprego, etc. e prefere poupar e receber juros negativos do que gastar sua renda.

E não é que o mundo está mais ou menos assim agora? Há pouco crédito disponível e há pouca demanda por crédito novo. Já comentamos aqui que o único jeito de virar esse jogo, e aos poucos, será os governos reduzirem a carga de impostos de famílias e empresas para que estas gastem e invistam. O risco é elas quererem pagar seus empréstimos porque aí a máquina continuará parada.

http://www.marketwatch.com/news/story/Bernanke-makes-official-We-Japan/story.aspx?guid=%7BF8AC589F%2D2F94%2D478D%2D9C54%2D0E4F6BD52F95%7D

Aqui é tudo diferente, né? Os nossos singelos juros básicos anuais (SELIC) equivalem aos de uma década do Japão e do EUA, e ainda assim, se bobear, a turma que ainda não sentiu a crise na pele invade a Casas Bahia e compra tudo (a prazo!)… e eu poderia até inverter o título deste post para “Quando juros altos não inibem o crescimento” (vide 2007 e 08).

Abraços,

Fernando

Notícia fresca do Portal Terra: sabe o dinheiro do compulsório dos depósitos que os bancos têm que depositar no BC, sendo remunerados pela SELIC? Pois é, ganharão menos. Ou melhor, acabam de ganhar um “incentivo” para comprar carteiras de bancos pequenos e médios.

É o BC abrindo o seu “saco de maldades”, como dizia o já lendário Gustavo Franco.

Detalhe: deu hoje no jornal que graças a essas medidas o “Crédito começou a circular”. Bobagem! A circulação é de um banco para o outro!

Abraços, Fernando

Economia nacional

BC muda compulsório para que bancos comprem carteiras

 

Atualizada às 18h58

O Banco Central (BC) retirou nesta quinta-feira a remuneração de parte dos depósitos a prazo que os bancos são obrigados a recolher à autoridade monetária, em um esforço para pressionar as instituições a repassarem recursos ao mercado em meio à retração da liquidez. A medida seria um incentivo para os bancos comprarem carteiras de instituições menores.

» Entenda a crise do crédito
» Opine sobre a crise nos mercados financeiros

Segundo circular do BC, a partir do dia 14 de novembro, 70% dos depósitos a prazo que os bancos são obrigados a recolher à autoridade monetária passarão a ser feitos em espécie e não serão remunerados. Esse volume corresponde a R$ 28 bilhões.

Os 30% restantes dos depósitos continuarão a ser recolhidos junto ao BC em títulos – como acontecia com a totalidade deste compulsório até então.

A medida visa estimular as instituições a usar a prerrogativa, instituída este mês pelo BC, de abater até 70% desse compulsório desde que redirecionem os recursos para a compra de carteiras de créditos e outros ativos de bancos de pequeno e médio portes.

Diante do aumento da aversão ao risco desencadeado pela crise financeira mundial, os bancos vinham optando por deixar os recursos no BC. Com o fim da remuneração, há o incentivo para que as instituições apliquem os recursos.

A circular do BC incluiu, ainda, os depósitos interfinanceiros de instituições não-ligadas entre os ativos que podem ser comprados pelos bancos grandes para fim de abatimento do compulsório.

Caros – Nouriel Roubini nos brinda com mais uma visão do inferno. Segundo suas análises, o mundo caminha para uma estagflação – terrível combinação genética de inflação com recessão. É um fenômeno de difícil ocorrência, mas grande poder de empobrecimento. Não tenho elementos para julgar, pois ele se baseia em dados fora da nossa realidade, mas é sempre bom ouvir o que o guru fala.

Os seus comentários e opiniões são muito bem-vindos.

Abraços, Fernando

RGE Monitor’s Newsletter

Greetings from RGE Monitor!

 

The financial wildfire has turned around the stagflationary trends seen earlier this year into a vicious cycle of global deflation in debt, assets, wages, and goods.  Headline consumer inflation has peaked in most of the developed and emerging world, except in places where food/fuel subsidies were recently rolled back or post-Q3 data are still unavailable.  According to the IMF’s October World Economic Outlook, the world’s average consumer prices have increased 6.2% y/y Q2 2008.   JPMorgan expects world CPI inflation to slow to 2.6% y/y Q2 2009.   Lower commodity prices subdued headline inflation and are expected to continue doing so on slackening global demand.   Core inflation has yet to show a significant decline but a feedback loop of debt deflation, asset deflation, commodity deflation, wage deflation, and slower global growth will likely lead to flat or lower headline and core consumer and producer prices in Q4 2008 through 2009.  But in the short- to medium-term, stag-deflation seems the most likely scenario for the world economy.

 

The continued fall of U.S. house prices has morphed into global de-leveraging, which threatens to spark global deflation.   Debt deflation at first sent investors seeking safety in commodities as inflation accelerated worldwide due to the weakening dollar.   The dollar weakened as the world seemed resilient to the U.S. slowdown.   But the lag between U.S. growth and growth in the rest of the world soon ended and so did the lag between growth and inflation.

 

Commodity prices slid on fund liquidation to cover losses in other asset classes and on expectations that commodity demand will weaken in a global recession.   The prospect of a U.S. hard landing and a global recession, and demand destruction triggered by high commodity prices earlier this year, has already led to an across the board commodity selloff, with the CRB falling almost half from its July peak.   Oil has fallen even further as the prospect of slower demand growth from China and other emerging markets may fail to offset falling demand from the OECD, especially the U.S. where demand for all petroleum products have fallen.  Not even a 1.5 million barrel production cut from OPEC and the news that many producers were cutting production (erasing this year’s earlier production increase) was enough to stem the decline.

 

Meanwhile many oil producing companies (even state-owned ones like Russia‘s )are feeling the double whammy of lower demand and tighter credit which may freeze capex and new projects, especially from the most expensive, unconventional supplies. With marginal costs of production still rising (for now), this may point to a mid-term supply crunch once an expansion finally begins.  Such supply constraints could occur in agricultural and metals over time, especially given that some base metals are trading below cost.

 

Commodity exporting countries are being pressured by falling prices and the withdrawal of global credit which may sharply reduce inflows and thus imports- contributing to another source of slack in the global economy in the next few quarters.   Countries like Russia, Venezuela and Iran could account for the most significant slowing though many petro-states have become used to oil prices above $70-80 a barrel – and the negative wealth effects of current and looming asset price corrections will have an effect.   While Chinese government infrastructure spending might limit the drop in demand for some commodities, its coffers do have their limits and even if Chinese property sector stabilizes, the past forecasts of Chinese demand growth for products like steel, copper and coal might have been over optimistic meaning that fundamental and technical factors could point to further downside for commodities until the credit markets stabilize.

 

As investors recast their outlook for corporate earnings in light of a slowdown in global activity, stock and corporate bond prices all over the world declined in a virulent episode of asset deflation.   Debt deflation exacerbated asset deflation by reducing the amount of leverage investors could take on.   Wage deflation will most likely contribute to a worsening the corporate earnings outlook by inhibiting consumer spending.   Labor markets have slackened on the corporate belt-tightening triggered by tighter financing and sagging sales.   Continued loosening of labor markets, marked by rising unemployment, will slow wage growth as jobs are cut back.   With household financial wealth shrinking in bearish markets and rising debt servicing burdens, lower household income will further erode consumption.   

 

The carry trade succumbed to bank de-leveraging and investor repatriation, resulting in the appreciation of carry trade funding currencies – the most popular being the JPY and USD.   Bank de-leveraging has led to a shortage of these currencies, as most cross-border bank liabilities were denominated in them.   With tighter lending, investors have had to unwind their carry trades to meet margin calls and, as asset prices adjusted to a recessionary outlook, to avoid further losses.   U.S. and Japan provided the lion’s share of the world’s investment flows.   The repatriation of U.S. and Japanese investor funds sapped the strength of other currencies versus the USD and JPY.   

 

The spread of recession and financial crisis beyond the U.S. to several other countries kills the appetite for foreign investments, driving repatriation.   This leads to further currency depreciation in carry trade destination currencies – especially emerging markets which had over-hedged or under-hedged against USD strength.   A stronger dollar may contribute to further commodity price declines as countries with weaker currencies are able to purchase fewer goods.   By the same token, weaker non-U.S. currencies may sow the seeds of higher inflation in countries vulnerable to imported inflation.  In an environment where high yield alone is no longer attractive, the combination of slowing growth and rising inflationary pressures may set up emerging markets for further punishment from currency markets.

This message sent to fernando_blanco@coface.com by info@rgemonitor.com.
RGE Monitor – 131 Varick Street Suite 1005 – New York, NY 10013-1417
You opted in to this list from: The Latest at RGE Monitor (More info…)
Unsubscribe | Update Profile/Email Address | Forward To A Friend

Powered By Contactology

 

Foi um dia cheio de coisas acontecendo. Nenhuma notícia ou decisão que promova uma virada no mau momento em que vivemos (não irei publicar/comentar nenhuma má notícia hoje). Ainda assim, foram várias iniciativas, aqui e ali, positivas.

1. Swap de Moedas: o Banco Central acertou com o FED americano uma operação de USD 30 bilhões. Essa medida se encontra na polêmica Medida Provisória 443; a tal que dá poderes para o governo federal comprar bancos, empresas, padarias, etc. Pelo que deu pra entender, o BC brasileiro poderá sacar USD 30 bi do governo americano que ficaria com o equivalente em reais para seu uso.

O acordo é positivo para o Brasil, pois aumenta o poder de fogo do governo para combater ataques ao real, como vem ocorrendo. Já para o Bush… o que ele iria fazer com R$ 70 bi? O governo quer mostrar que não irá deixar sangue rolar pela rampa do Palácio do Planalto. Tem uma turma especulando forte, jogando pesado contra as empresas que se entubaram com aqueles derivativos cambiais. Acho que o governo está com ódio viceral desse pessoal, mas não quer manchetes de jornal dizendo que meia-dúzia de grandes empresas (ou bancos) quebraram por conta de “especularem com derivativos” (e nem foi isso precisamente).

http://www.bancocentral.gov.br/noticias/Noticias.asp?noticia=1&idioma=P&cod=1905

2. COPOM/SELIC: o nosso BC já provou que é macho. Ele peita mercado, imprensa, ministros e quem mais se apresentar. Desta vez resolveu não mexer na taxa da SELIC, mantida nas alturas de 13,75% a.a. Na verdade, o BC ficou entre a gritaria da indústria que clama pela redução da taxa e uma ala de monetaristas radicais, que apostam na existência de uma severa inflação em gestação e que, por não subir a SELIC agora, terão de subí-la mais lá na frente.

Não concordaram? Entrem no blog A Mão Visível aqui ao lado e tentem entender porque o Alexandre Schwartsman e seus seguidores acreditam nisso. Eu não consegui. Por onde olho e falo só vejo desaquecimento na indústria. Não chegou no varejo, mas vai chegar em janeiro. Não entendo que inflação é essa que estão vendo. Será que o câmbio teria tanta força? A ver (e sentir).

3. As bolsas: apesar do mercado de ações ainda não ter condições de refletir minimamente para onde vai a economia real, o simples fato da BOVESPA não ter caído 10% nesta 4af é positivo. Talvez queime minha língua e ela caia 15% na 5af… Chamou a atenção a festa européia, onde todas as bolsas relevantes subiram mais de 8%, enquanto NY ‘andou de lado’, com leve queda. O que posso dizer? Já está barato além da lógica dos números para quem quer comprar com visão de longo prazo, mas Nouriel Roubini Primeiro e Único diz que ainda pode cair + 30% (e mostra números para isso!). Para quem gosta de dar uma especulada é o momento ideal.

4. Bancos: comento dois assuntos, sendo um chato e outro interessante. O interessante primeiro: o crédito bancário cresceu nos últimos 12 meses alguma coisa como 30%, mas os lucros dos bancos não cresceram na faixa dos 20% a 30% (anualizados) neste trimestre como vinha acontecendo há anos, trimestre a trimestre. Não tive tempo para analisar, mas isso chamou a minha atenção. Talvez estejam perdendo muito, ainda que temporariamente, com as operações de derivativos – os bancos têm que pagar a chamada margem na BMF (despesa) enquanto seus clientes negociam uma reestruturação das dívidas com derivativos (receita pendente). A chatice é essa interminável lenga-lenga de que os bancos não liberam o crédito, etc. Já falei sobre isso aqui umas 100 vezes. Não adianta reclamar: banco algum vai dar crédito enquanto estiver na dúvida sobre a solidez dos clientes, sobre os setores dos clientes e sobre a tendência macro daqui pra frente. Para a choradeira da FIESP, do Ministro Mantega, do Papa Bento XVI, etc., sabe o que FEBRABRAN faz? Leiam o link abaixo…pura “mensagem institucional”…

http://www.febraban.org.br/noticias1.asp?id_texto=376

5. Lula Papai Noel: foi anunciado o pacote de R$ 3 bilhões que a Caixa utilizará para dar crédito para construtoras com problemas de liquidez. A MP 443 também criou a CaixaPar que poderá comprar participação em empresas do setor. Já falamos disso aqui. A dúvida que eu tenho é como irão diferenciar o joio do trigo. Mutuários em situação complicada existem aos milhões, mas como definir qual empresa terá ajuda? Por que o Condomínio Véu da Noiva do meu amigo continuará a subir e o meu, o Chateaux Magoux ficará parado? Em tese, a ajuda é para evitar uma crise que prejudique o povo. Por outro lado, talvez beneficie maus empresários que descasaram ativos e passivos, só têm terrenos e nada no caixa, etc.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u461905.shtml

E no Salão do Automóvel, aqui em SP, o Presidente Lula disse que irá ajudar este setor também. Juro que não sabia que havia tanto dinheiro disponível assim. Sério, a intenção é maravilhosa, mas a execução de tais medidas são tão complexas e arriscadas…parece-me impossível que não se cometam injustiças sérias. Deus o ajude.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u461978.shtml

6. Despesas Financeiras: a notícia é velha, mas vale a pena comentar. O repórter Toni Sciarreta, da Folha, escreveu nesse último domingo sobre um estudo da consultoria Economática. Lá diz que, neste terceiro trimestre, na média, 70% do resultado operacional das empresas de capital aberto será utilizado para pagamento de juros. A mini-máxi desvalorização do real ajuda, mas a alta dos juros é fundamental. Detalhe: o estudo não contempla as tais operações com derivativos.

Então, administrar o passivo bancário é ou não é importante? É… mas poucos empresários dão valor para isso. A mídia? Não quer nem saber. Eu tenho falado sozinho sobre o tema. Depois reclamam que a SELIC sobe. Só que esquecem que o problema não é os 13,75%, da SELIC, mas sim os 35% que são pagos pela maioria das empresas brasileiras (e nem percebem, porque não fazem conta…).

Abraços, F.

Meus comentários são:

1. A reação nas bolsas era esperada. A turma precisa de notícia, boa ou ruim, para o trading. Nada que indique tendência, pois ao primeiro mau sinal vindo, por exemplo, dos balanços dos bancos, a volatilidade jogará contra de novo.

2. O FED e todos os bancos centrais (inclusive o nosso) estão ‘batendo cabeça’ na solução do REAL problema desta crise: a falta de irrigação do crédito para a economia real. A combinação de desconfiança generalizada e a perspectiva de recessão está matando o crédito e retro-alimentando a crise.

3. Tudo isso para dizer: baixar juros não resolve essa questão, muito pelo contrário. Quanto mais baixos os juros, menor o estímulo para o banco emprestar. Talvez até o faça, mas com um tremendo spread. De qualquer forma, entre lucros & perdas, a decisão é BEM-VINDA porque ajuda a desafogar um pouco os endividados americanos. Mas só um pouco, porque os juros já estavam baixos…

4. Para nós, aqui no Brasil, o efeito será imaterial. Aplicações adicionais de nossas reservas renderão um pouco menos e como não estamos captando nada lá fora, não teremos economias significativas no passivo também.

O link abaixo, da Bloomberg, é muito informativo e nos atualiza sobre o quadro geral.

http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601087&sid=awpa6f1vDwlg&refer=home

E aqui, hein, o que o nosso COPOM estará decidindo enquanto escrevo? Comentarei sobre a SELIC no Plantão da Madrugada…

Abraços, Fernando

Caros – eu tento, eu juro que venho tentando ser menos pessimista. Mas quanto mais se cava, mais coisa errada e perigosa a gente acha. Eu já comentei sobre os Hedge Funds. Eles compõem a primeira bomba-relógio: dependendo de quem explodir, o mercado e o crédito sofrerão novos enormes abalos – assumindo que o FED não irá ajudar fundos (não-banco) ultra-especuladores.

Agora que as cotações reagiram um pouco, os jornalistas foram atrás de mais uma bomba-relógio. E acharam os já falados cartões de crédito dos americanos. O texto abaixo, em inglês, mostra a crescente preocupação de banqueiros e governo com a contínua deterioração das carteiras de bancos, empresas de cartões e varejistas. E como a situação econômica só irá piorar nos próximos 12 meses, espera-se também que o desemprego contribua para que hajam perdas ainda maiores. Falam em USD 55 bilhões nos próximos 12-18 meses – já tiveram mais de USD 20 bilhões este ano. Eu acho que será pior. Pode considerar mais USD 100 bi na conta de Mr. Paulson & Mr. Bernanke.

A situação não seria tão grave se os bancos não estivessem tão descapitalizados e tão fragilizados gerencialmente.

http://www.nytimes.com/2008/10/29/business/29credit.html?pagewanted=1&_r=1&hp

O link abaixo mostra um complemento perigoso para o consumo dos americanos: o índice de confiança do consumidor bateu o recorde histórico de baixa, desde que o índice foi criado. Isso fortalece o sentimento de que a recessão será forte e duradoura, conforme previu Nouriel Roubini meses atrás.

http://www.ft.com/cms/s/0/776b96f0-a4f8-11dd-b4f5-000077b07658.html

Anotem aí: o fim do liberalismo americano atingirá novos patamares. O Barack Obama terá que resgatar pessoas físicas, como nem o mais radical republicano sonhou fazer. Terá que cancelar impostos durante um ano ou coisa parecida, pois a população está quebrada de tanto crédito e ainda perdendo emprego aos milhares por semana (segundo as estatísticas). Após resgatar bancos, após o FED emprestar dinheiro para EMPRESAS, o que mais falta? Financiar o cidadão comum, oras – afinal, eles é que votam! E o farão via corte brutal de impostos ou algo com similar criatividade.

Bem, certamente não haverá tanto dinheiro no mundo para comprar tanto título público americano. Acho que a máquina de imprimir dólares será usada com sofreguidão. Mas aí tem inflação, né? É… mas deixa isso pra lá…um drama de cada vez.

Oremos para eu estar errado!

Fernando

Próxima Página »