Daqui a pouco o Senado americano deverá anunciar a aprovação do Plano Paulson. Eu listo abaixo as seguintes concessões que governo e Democratas fizeram aos Republicanos, além de outros motivos (insólitos) para que a aprovação saia:

  1. Aumento do seguro dos depósitos bancários de USD 100 mil para USD 250 mil. Comentário do blog: isto ajuda na medida que evita uma corrida aos bancos por parte da classe média; mas não resolve o problema da turma do private banking, que pode quebrar um banco também. Medida cosmética, político-eleitoreira, também conhecida como “jogar pra torcida”.
  2. Inclusão de um benefício fiscal para os cidadãos no montante de USD 149 bi num prazo de…10 anos! O blog diz: mais uma firula pra galera da geral vibrar!
  3. Os senadores receberam milhões de emails contra a ajuda aos bancos ao longo das últimas duas semanas. Bastou a bolsa derreter, queimando USD 1 trilhão de valor, para que os mesmos senadores recebessem, em apenas 2 dias, outros milhões de emails pedindo que aprovem o Pacote!! Só rindo…
  4. Além disso, teve o Bush, de novo de joelhos, implorando aprovação…

E para fechar, transcrevo abaixo um comentário feito pelo Frederico Madureira, Mestrando em Economia da Unicamp, sobre o pacote:

A saída proposta por Krugman, Roubini e outros é muito mais radical que a maioria pensa. Ela implica uma intervenção significativa e regulação imediata do setor bancário.
Na alternativa anterior, estilo investment banker, o Tesouro compra os títulos podres por algum preço, verifica o valor real de mercado e assume os prejuízos às custas do contribuinte. Depois pensa como regular o sistema financeiro.
Nesta nova alternativa, os bancos, acionistas e grandes depositantes, junto do Tesouro, se tornam responsáveis por solucionar esse problema em conjunto. O Tesouro capitiza os bancos, vira acionista (equity) e força os banqueiros a arrumar a casa antes de vender suas participações. Isso pode implicar anos seguidos de dividendos reduzidos para os executivos e não liberar o capital dos bancos até que uma solução razoável tenha sido obtida. Desta forma, os banqueiros, acionistas e depositantes também pagam pelo caos que ajudaram a formar e não apenas o contribuinte.
Pessoalmente, acho esta solução mais justa e radical.
Pensar que nenhum economista ortodoxo jamais cogitou uma intervenção das autoridades monetárias no mercado de títulos é interessante….agora é isso ou isso. Não adianta mais dar liquidez no mercado interbancário que a preferência absoluta pela liquidez dos bancos se encarrega de não repassar esses recursos e interromper os circuitos existentes de financiamento.
Vamos acompanhar!
Fred