Pois é, amigos, ontem o dia foi calmo, ou melhor, as cotações das ações subiram porque – miraculosamente – os mercados passaram a achar que o mundo não ia mais acabar…

Aqui no Brasil, todo mundo começou a achar que “a crise poderá atingir o Brasil”. Como assim? Não tem que achar nada, ela já nos atingiu e pronto! E logo no crédito! O que mais que querem, quebradeira de banco? Isso não acontecerá, mas haverá quebradeira de PJ e PF, o que é suficientemente ruim! Exemplos:

  1. As linhas para financiamento de exportação estão secando (de curto, médio ou longo prazos).
  2. Não há linhas externas ou mercado de títulos para bancar projetos de expansão empresarial e de infraestrutura.
  3. Até o capital de giro empresarial em reais, de curto-prazo, encareceu. Dizem que o spread dobrou!
  4. E dizem também que bancos de pequeno porte estão sofrendo com o famoso “flight to quality” (i.e. os depositantes estão preferindo investir naqueles “acima de qualquer suspeita”).

Que mais estão querendo? No macro o Brasil vai bem, mas nós vivemos no micro – e o micro deteriora-se rapidamente.

Outras nota de interesse:

  • O americano médio, aparentemente, não entendeu o que se passa em seu país. Paul Krugman comenta que os americanos trocaram o financiamento via segunda hipoteca pelo cartão de crédito, que está aumentando! É mole ou quer mais?!

http://krugman.blogs.nytimes.com/2008/09/30/death-by-plastic/

  • Existe uma turma que está frontalmente contrária ao plano Paulson, que pretende comprar papéis podres dos bancos para em seguida criar um mercado secundário desses títulos. Esta é uma solução bem ao estilo de um investment banker, como Mr. Paulson – minha opinião: será uma confusão sem limites; difícil de precificar. Paul Krugman preconiza outra saída: que o Tesouro (ou outra agência a ser criada) capitalize esses bancos (diluindo o valor dos atuais acionistas). Seria muito mais limpo, transparente. Esta é a solução que os europeus estão utilizando para o seu crescente problema: banco quebrou; o governo estatiza, arruma a casa e depois o vende.
  • Detalhe cômico se não fosse trágico: quebrou o primeiro banco da Islândia. Krugman calculou a “ajuda financeira/per capita” e concluiu que proporcionalmente à população dos dois países, o Plano Iceland seria equivalente a USD 850 bi contra os USD 700 bi do Plano Paulson.

Cinicamente, eu comento: eu estou tão certo que esses USD 700 bi não irão ajudar muito.

Boa noite, F.