Não, eu não estou falando da bolsa cair mais 7% e o dólar subir outros 5%. Isso é volatilidade normal (com viés notoriamente pessimista) que não deveria surpreender mais ninguém nessa altura do campeonato. E agora os mercados cairão por conta da perspectiva clara de recessão forte e não mais por conta do medo da crise sistêmica.

Estou falando é de crédito, que está secando barbaramente. Falta crédito em dólar, falta para empresa PME, falta para banco de porte médio pra baixo. Alguns pontos:

1. O Banco Central mexeu no compulsório dos bancos (com potencial para liberar R$ 23,5 bilhões). Só que essa mudança teve um claro viés de apoio para os bancos menores. A liberalidade é restrita aos bancões que comprarem créditos dos bancos menores, i.e. estes precisam de liquidez urgentemente. Eles até tem bons ativos, mas devem estar sem funding, pois houve um “flight to quality” do lado dos depositantes. Em outras palavras, são bancos solventes, mas ilíquidos – e olha que fizeram IPO’s no ano passado. Mas aí faltou o famoso Asset – Liability Management (“ALM”)…

2. Se fizessem uma escala de importância entre os executivos – públicos e privados – do mercado de trade finance do Brasil, eu diria que ontem eu conversei longamente com o número 1 e com o número 2. O que ouvi foi uma calamidade. Os bancos internacionais, que já tinham estendido linhas de crédito para ACC, ACE, financiamento de importação, pré-pagamento, etc., estão cobrando TODAS essas linhas no vencimento. Isto é, não há rolagem possível. São USD 5 bilhões por mês. Não é a toa que o Presidente Lula acordou e parou de falar pérolas do tipo “o problema é do Bush”, “o Bush, resolve os seus problemas aí, meu filho”, lembram-se?

3. A maioria dos bancos, como não tem dinheiro para atender toda a demanda, começam a hierarquizar a liberação de empréstimos, i.e. quem pode mais, chora menos. Chegou a hora de cada empresa mostrar sua competência na desprezada disciplina Relacionamento Bancário, que eu tanto preguei aqui neste blog (antes da crise roubar-lhe espaço…).

Começo a temer seriamente pelo Natal deste ano – a despeito de Lula ter urgido seus ministros a “garantirem crédito para o Natal” – e do crescimento do PIB de 3% para 2009.

É PERFEITAMENTE POSSÍVEL TERMOS UMA DEPRESSÃO MUNDIAL E UMA RECESSÃO NO BRASIL. A CRISE DE CRÉDITO ESTÁ MUITO SÉRIA E O MUNDO APRENDEU A CRESCER COM CRÉDITO FÁCIL E BARATO. E ISSO VIROU FICÇÃO!

Até + tarde, F.