Caros – enquanto vemos o valor dos ativos derreter, muitas perguntas estão no ar. Por que? Como? Mas e o Pacote do Paulson?

Vivemos dias únicos em nossas vidas profissionais. Quem passar por essa poderá contar histórias para os netos. “Então, Juquinha, o vôvo viu o mercado global de crédito parar, as bolsas derreterem e…”.

Fatos:

  1. Os mercados financeiros estão desorganizados: com o início da crise, bancos e investidores entraram em pânico por conta do risco de solvência ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Solv%C3%AAncia ) que enxergavam em suas contrapartes.
  2. Por conta disto, todos cortaram limites de crédito para todos, transformando o que era risco de solvência em risco de liquidez.
  3. Para liquidar com o risco de liquidez, os Bancos Centrais do mundo quase todo injetaram…liquidez no sistema, garantindo que bancos não quebrariam por falta de caixa ao final do dia. No limite, também arranjariam compradores para os casos mais sérios (como Merril Lynch e Bear Sterns) ou estatizariam aqueles grandes demais (e.g. AIG, F.Mae & F.Mac).
  4. No entanto, o mercado entendeu que mesmo com a volta da liquidez o risco de insolvência continuava. Afinal, bilhões de ativos podres continuavam nos livros dos bancos.
  5. O Plano Paulson deveria ter eliminado este risco, mas isto não aconteceu. Talvez por que ninguém sabe exatamente como isto funcionará.
  6. Para piorar, o “Flight to Quality”, que começou com bancos e investidores, migrou dos próprios bancos para os seus clientes de crédito, i.e. como os bancos agora têm menos recursos para empréstimos, passaram a selecionar os clientes para quem  emprestar (seja pelo relacionamento, ou pelo preço que estão dispostos a pagar, etc.).
  7. Ocorre um movimento mais ou menos assim: se eu (Banco A) corto 50% da linha de crédito para a Empresa X, eu acho que todos os demais também o farão; se isto acontecer, a empresa A quebrará; então é melhor eu cortar logo 100% da linha. Raciocínio similar acontece com setores: se tal setor depende de exportação para sobreviver e agora não tem mais linhas baratas, então é melhor cortar as linhas de crédito para as empresas do setor, antes que alguns créditos miquem na mão do banco.
  8. De qualquer forma, o mundo também acordou que haverá uma forte restrição ao risco de crédito globalmente, e isto aprofundará uma recessão que já se avizinha.
  9. E a incerteza por conta de quebra de bancos na Europa também permanece, ainda que os governos já tenham deixado claro que irão proteger seus mercados financeiros.

Os mercados então derretem – com gosto – porque entraram numa espiral paranóica retroalimentada por risco de liquidez e risco de solvência, somado ao fato inexorável que a economia mundial vai desacelerar brutalmente, e isto irá reduzir o resultado das empresas. E tem também muita especulação, obviamente.

Abraços, F.