…agora, vamos detalhar mais!

2. Solvência ou Iliquidez…ou ambos:

  • Uma parcela imensa dos bancos americanos está insolvente, i.e. os seus ativos (empréstimos) não tem valor suficiente para honrar o seu passivo (i.e. depósitos de clientes).
  • Sabedores deste fato, bancos bons e bancos ruins passaram a desconfiar uns dos outros, levando-os a cortar as linhas interbancárias, que ajudam a equilibrar o sistema no dia-a-dia.
  • Consequência: muitos (!!) bancos ficaram iliquidos, pois tinham vencimentos de depósitos que não eram renovados, ao mesmo tempo que não conseguiam linhas no mercado interbancário.
  • Foram parar no FED – que é o “emprestador de último recurso” para os bancos (assim como acontece no Brasil).
  • A surpresa maior vem da Europa, que em tese deveria ser menos impactada, mas que viu-se contagiada pelo mesmo mal. Destaque para os bancos britânicos, que também sofrem com hipotecas mal negociadas.
  • A “taxonomia” do problema europeu é identica à americana, tendo como diferença o fato da União Européia ser uma federação de nações independentes, que tem como hábito falar muito, se reunir muito e decidir lentamente. Os mercados estão machucando os bancos europeus.

Concluindo esta parte: perdeu um pouco o sentido, neste momento, saber quem está na UTI porque era realmente insolvente ou porque ficou temporariamente iliquido. A desconfiança se alastrou pelo sistema. Como devolver a confiança ao sistema, globalmente, será tarefa para os “deuses” e será discutido mais à frente.

Brasil: nossos bancos eram e são solventes, i.e. tem bons ativos, porém, perderam parte da liquidez que era injetada pelos bancos (via linhas de, e.g., trade finance) e investidores (via eurobonds) internacionais. Daí, com o noticiário e etc., os bancos de menor porte passaram a perder depósitos rapidamente, até que, mesmo sendo solventes, tiveram problemas de liquidez – o Banco Central entrou em ação prontamente. Ao que parece, os bancos internacionais de médio porte também perderam linhas de crédito por aqui, pois os nossos bancões de varejo também não estão certos se as matrizes daqueles bancos estão sólidas ou não. Isto é incrível! Nem Nostradamus teria previsto situação tão bizarra!

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