Caros – abaixo eu reproduzo um post do blog da Miriam Leitão que, na minha opinião, merece ser discutido.

Como já disse antes, a redução dos juros só servirá para mostrar para os mercados (i.e. investidores em ações e similares) que os Bancos Centrais estão fazendo o que podem para que a economia se reaqueça.

No entanto, a falta de liquidez reinante no sistema financeiro não receberá um centavo (ou cent) por conta de tal redução. Em outras palavras, o “crédito não destravará”  e os bancos não passarão a emprestar agora só porque os juros caíram – uma coisa não tem a ver com a outra.

Lanço uma nova hipótese para a crise do mercado de ações: com a tremenda desorganização do sistema de crédito e, por tabela, de pagamentos, parece-me óbvio que todo tipo de agente econômico está encontrando algum tipo de dificuldade para pagar suas contas. Quem está com mais aperto acaba tendo que se desfazer de outros bens ou resgatar investimentos para liquidar suas dívidas vencidas ou a vencer.

Vender ações seria, portanto, uma decisão óbvia para quem precisa fazer caixa (seja uma empresa de investimentos ou cidadão comum). Começo a achar que o contínuo derreter dos mercados não tem muito a ver com a futura recessão ou com o Plano Paulson ou com os bancos quebrados, etc. É mais simples do que parece, eu acho.

O que vai destravar o mercado de crédito é a federalização dos bancos problemáticos (proposta do governo do Reino Unido, mas que ainda não vingou por lá), seguida de uma publicação de todos os balanços patrimoniais do sistema. Com o crédito se reativando, as pessoas (físicas e jurídicas) não precisarão mais vender seus papéis.

Abraços, F.

Blog da Miriam Leitão

Mais cortes de juros, mas crédito ainda travado

Mais três bancos centrais cortaram juros hoje: Coréia do Sul, Taiwan e Hong Kong. Com os dez de ontem, já são 13 os bancos que agiram em conjunto.

Mesmo assim, a taxa Libor, que mede o custo dos empréstimos interbancários em Londres, atingiu o nível mais alto do ano, num sinal de que o sistema de crédito ainda continua emperrado, a despeito da ação dos BCs